‘Laranjas’ têm medo de
cair na marginalidade
Caso as medidas apresentadas pelo governo comecem a vigorar em breve, milhares de pessoas perderão a única fonte de renda que possuem para sustentar a família. Em Foz do Iguaçu, cerca de 30 mil moradores vivem do contrabando de produtos importados. Pessoas que afirmam não conseguir emprego na cidade pela falta de indústrias e empresas grande porte na cidade.
Edna Aparecida Nunes, de 22 anos, e o marido Venildo Nunes, 25, trabalham como ‘‘laranjas’’ há quatro anos e são bons exemplos da dificuldade de se conseguir trabalho regulamentado na fronteira. Edna trabalhava em um supermercado e depois de demitida em 1995 não conseguiu arranjar outro emprego. Nunes trabalhou em uma empresa da construção civil, que faliu pouco depois de se casar.
Morando em casa alugada, o casal disse que se preocupa agora com o futuro da filha Gabriela, de 3 anos. ‘‘Atravessar mercadorias na fronteira é a nossa única fonte de renda. Acho que no meio destas medidas deveria existir um projeto para encaixar a gente. Aqui todo mundo quer trabalhar honestamente’’, comentou Edna, que ganha junto com o marido cerca de R$ 70,00 por dia.
Nilson de Abreu, 30 anos, é outro personagem curioso que atua entre os laranjas de Ciudad del Este. Ele não reclama de falta de emprego como a maioria faz, pois trabalha e vive em um sítio em Ubiratan, distante 215 quilômetros de Foz do Iguaçu. ‘‘Estou produzindo soja em sete alqueires arrendados e mesmo assim, não tenho dinheiro nem para cuidar da família’’, queixa-se.
Há seis anos, o agricultor vai a Foz três vezes por semana para trabalhar como carregador. Recebe diariamente R$ 30,00 – ele e 5 companheiros juntam todos os produtos e fazem uma única ‘‘leva’’.
Questionado sobre o acordo dos governos paraguaio e brasileiro, Abreu disse que se as medidas fossem colocadas em prática hoje muita gente partiria para a marginalidade. ‘‘Eu ainda tentaria sobreviver da roça, mas conheço gente que vai fazer qualquer coisa.’’ (E.D.)

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