A laranja de mesa, consumida ''in natura'' ou em suco espremido na hora, subiu pelo menos 200% nos últimos seis meses em Londrina. No Ceasa do município, a caixa da fruta era vendida a R$ 5,00 no primeiro semestre do ano passado e hoje chega a R$ 18,00. De acordo com José Lourenço Fonseca, comerciante de frutas e legumes no local, o mercado interno está pagando pela fruta o mesmo valor desembolsado por exportadores, que vendem o suco e recebem em dólar pela produção.
''As indústrias fecham contratos em dólar com os produtores. Não sobra fruta para o comércio, a não ser que o comerciante pague mais que o exportador'', comentou. Apesar da alta, Fonseca garante que o consumo se mantém. ''Não é um produto supérfluo'', disse.
Paulo Pratinha, gerente geral da indústria Citri, em Paranavaí, confirmou que a remuneração do produtor será boa por causa da valorização da moeda americana. O preço da fruta também foi influenciado pelo aumento da demanda no mercado interno sem aumento correspondente no volume produzido.
Outro fator determinante é o clima, que contribuiu para o amadurecimento precoce da laranja, concentrando as vendas em um período mais curto. Pratinha também lembrou que janeiro é mês de entressafra. ''O pico de produção não coincide com o verão, que é a época de maior consumo.''
No final da cadeia produtiva, o consumidor vai começar a pagar mais caro pelo suco de laranja do lanche de todos os dias. Maria Inês Camargo tem uma lanchonete no centro de Londrina e vende o copo de suco a R$ 0,80. Há dois meses, ela pagava R$ 8,50 pela caixa da fruta e hoje desembolsa R$ 18,50 pela mesma quantidade.
''Se a laranja não baixar, vou subir o suco para R$ 1,00'', planeja a comerciante, que está adiando o reajuste porque teme queda no consumo. ''A gente aumenta o preço em apenas R$ 0,10 e as pessoas começam a comprar menos'', contou.
Além de pagar mais caro, Maria Inês só encontra laranja de baixa qualidade nos pontos de venda. O engenheiro agrônomo Manuel Lira, da Emater de Cornélio Procópio, esclareceu que as frutas disponíveis são de qualidade inferior por causa da concorrência dos exportadores, que ficam com os melhores lotes. Outra explicação é que a safra já terminou e as laranjas disponíveis no mercado são temporãs. ''A situação só deve se regularizar a partir de março'', adiantou.

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