Laranja 'baía' espanhola ganha mercados brasileiro e argentino
Maior produtor mundial de citros, o Brasil está sendo invadido neste verão por uma variedade especial de laranja espanhola, cuja importação deve atingir 1,2 mil toneladas. A laranja navel espanhola, semelhante à variedade baía brasileira, supre em parte a escassez desta fruta no mercado nacional durante a entressafra. A laranja também entrou no mercado argentino. A importação da navel espanhola, caracterizada pela ausência de sementes e destinada principalmente para sobremesa, ocorre principalmente entre dezembro e fevereiro.
Edmundo Marti, gerente de vendas da Importadora Marti, importou em dezembro último 37,5 t e espera manter esta média mensal em janeiro e fevereiro. Ele afirma que o produto é trazido para o Brasil por cerca de 12 importadoras, com volumes semelhantes. A laranja espanhola chegou ao mercado brasileiro pela primeira vez no final de 1997, experimentalmente. Como a aceitação foi boa, a importação se popularizou este ano. O Brasil também importa laranja navel do Uruguai, há cerca de dez anos, mas com volume inferior.
No entreposto da Central de Entrepostos e Armazéns Gerais do Estado de São Paulo (Ceagesp) localizado no Jaguaré, na capital, o volume mensal de laranja navel espanhola comercializado durante o verão é de 8 mil caixas de 15 quilos, segundo Antônio Carlos, do Departamento de Economia. O volume de laranja baía nacional comercializado na Ceagesp em novembro totalizou 21.153 caixas de 25 quilos, afirmou Antônio Carlos.
Segundo o pesquisador Jorgino Pompeu Júnior, do Centro de Citricultura Sylvio Moreira, de São Paulo, a importação de laranja navel se justifica pela safra curta da laranja baía nacional, cuja colheita principal vai de maio a julho. A safra de navel espanhola acontece de novembro a janeiro, chegando ao Brasil em uma época de escassez do produto. Pompeu afirma que a importação se faz necessária, pois o consumo da baía é grande no Brasil.
No Brasil as condições são boas, mas não ideais, diz, explicando que, tanto na Espanha como na Califórnia, a oscilação térmica, com dias ensolarados e noites muito frias, faz com que tanto a casca como o suco da laranja tenham coloração mais forte. O frio deixa a laranja mais bonita, e mais atrativa para o consumidor, diz Pompeu Júnior.
Raphael Juliano, um dos maiores produtores de laranja de mesa do Brasil, com cerca de 1,4 milhão de caixas de 40,8 quilos por ano, afirma que o alto preço da laranja espanhola torna a importação do produto inviável. O preço da laranja importada é maior do que o nosso, e a gente não consegue entender como a laranja espanhola está vindo para o Brasil. Do Uruguai eu até entendo, pois é mais barata e eles não tem consumo interno, disse. O pesquisador Pompeu Júnior informa que o quilo da navel espanhola custa ao consumidor R$ 1,49, enquanto que o quilo da baía nacional sai por cerca de um terço desse valor. Um outro problema da laranja importada é a conservação.
Segundo Pompeu Júnior, a fruta perde qualidade com o envelhecimento e com condições precárias de conservação. A geladeira pode dar um gosto amargo à fruta, pois muitas vezes os atacadistas conservam a laranja junto com verduras e outras frutas, mantendo a temperatura inadequada para a laranja, disse Pompeu.
As laranjas importadas se destinam sobretudo para grandes redes de supermercados, sendo também negociadas no entreposto da capital paulista da Ceagesp. Para o grande produtor de laranja de mesa, Raphael Juliano, a importação não chega a prejudicar os produtores, porque o volume é pequeno.
Edmundo Marti, da Importadora Marti, concorda, afirmando que essa importação só se justifica nos períodos de escassez da baía nacional.ArquivoMercado do produto nacional não será prejudicado pelo importadoLúcia Monteiro
Agência Estado





