Brasília O anúncio da Nova Agenda de Desenvolvimento Econômico, que está sendo preparada por um grupo interministerial e deve conter as medidas de incentivo prometidas pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, em Portugal, ontem, vai demorar mais que o previsto. No dia 16 de junho, Furlan apresentou, ao lado dos ministros da Fazenda, Antônio Palocci, do Planejamento, Orçamento e Gestão, Guido Mantega, e da Casa Civil, José Dirceu, o Roteiro para a Nova Agenda de Desenvolvimento Econômico, uma espécie de carta de intenções sobre uma política industrial e de incentivo ao comércio exterior. Na ocasião, os ministros decidiram apresentar uma versão mais detalhada das medidas num seminário a ser realizado no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no dia 17.
Como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva só volta de sua viagem à Europa no próprio dia 17, o Ministério do Desenvolvimento informou que o seminário deve ser adiado. Além disso, uma pessoa familiarizada com a montagem da agenda confirmou que o prazo não será cumprido.
O roteiro prevê que o foco da política industrial será a ampliação do comércio exterior, para reduzir a vulnerabilidade externa do Brasil. Serão concedidos subsídios a setores que hoje representam gargalos na produção brasileira e linhas especiais de crédito do BNDES. O apoio governamental terá tempo de vigência limitado, exigirá a contrapartida de investimentos privados e definirá metas de exportação aos setores contemplados. As compras governamentais também serão direcionadas para incentivar o mercado doméstico.
Entre os principais gargalos à produção está a área de infra-estrutura, para a qual será dada prioridade na agenda. Na solenidade de lançamento do roteiro, Furlan disse que o plano do governo é estimular investimentos de R$ 20 bilhões por ano, entre gastos do governo, parcerias com o setor privado e recursos disponíveis nos organismos multilaterais. O documento previa também a criação de um núcleo coordenador das ações de política industrial, que discutiria o detalhamento das medidas.
Desde o anúncio do mês passado, esse grupo de trabalho foi dividido em três subgrupos: infra-estrutura, identificação das políticas atuais e definição de regras para a ajuda governamental.

mockup