Lamy diz que UE não vai negociar subsídio agrícola
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segunda-feira, 09 de julho de 2001
Agência EstadoDo Rio 
A União Européia descarta a possibilidade de incluir em suas negociações com o Mercosul a redução dos subsídios agrícolas europeus. Podemos discutir entre as regiões questões de livre comércio, mas o subsídio é um assunto ligado à política agrícola comum da União Européia e só vamos estabelecer compromissos neste aspecto nas negociações multilaterais da OMC, disse ontem o comissário de comércio da UE, Pascal Lamy.
Lamy acredita que as negociações entre União Européia e Mercosul estão pelo menos um ano à frente das negociações da Alca. A Alca é uma negociação entre 34 países e, portanto, é naturalmente muito mais complexa do que nossas negociações, que basicamente são de um para um, afirmou o comissário.
Nesta sua segunda visita ao Brasil, o comissário discute a proposta de integração entre União Européia e Mercosul feita no último dia 5 em reunião em Montevidéu. A UE propõe uma redução gradativa das tarifas de importação européia, devendo atingir, em dez anos, todos os produtos industriais e 90% dos produtos agrícolas. A proposta também cita a possibilidade de liberalizações nas áreas de comércio e de compras governamentais.
O comissário destacou que a União Européia arriscou-se ao fazer esta proposta exatamente no momento em que o Mercosul enfrenta uma crise interna. Talvez taticamente este não fosse o momento ideal de iniciar a negociação de uma proposta, mas tomamos a decisão política de fazê-lo como uma prova de confiança no processo de construção do Mercosul, declarou.
O Mercosul se comprometeu a apresentar suas propostas até o dia 31 de outubro. Este foi um prazo estabelecido pelo próprio Mercosul e esperamos que seja cumprido. Se isto não acontecer, as negociações para liberação do comércio vão ter de esperar, declarou.
Lamy não quis comentar o que o Mercosul deve fazer para resolver sua crise interna. Tentar integrar economias em um momento de volatilidade cambial é muito difícil porque quanto mais os países se integram, mais suscetíveis ficam a choques cambiais na economia do parceiro. Se houver vontade política, estes problemas certamente serão superados.


