SÃO PAULO - O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Luiz Felipe Lampreia, defendeu ontem o Mercado Comum do Sul (Mercosul) das acusações que vem recebendo de que seria uma instância contrária à integração dos continentes e seria, na prática, um esforço protecionista disfarçado. ‘‘Esta é uma avaliação crescente e preocupante’’, observou ele logo no início de sua exposição durante encontro da Associação das Câmaras Americanas de Comércio da América Latina (AACCLA). ‘‘O Mercosul é um regionalismo aberto, uma ponte entre nossas economias e a economia mundial’’, rebateu o ministro.
Lampreia se manifestou contrário à antecipação do cronograma de funcionamento da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Ele ponderou que é importante, primeiro, fortalecer o Mercosul, considerando como participantes os quatro países fundadores (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) e mais Chile e Bolívia. Nas negociações com a Alca, disse ele, será preciso encarar de frente o forte protecionismo com que os Estados Unidos protegem alguns setores como o siderúrgico, calçadista, têxtil, de suco de laranja e outros segmentos agroindustriais. ‘‘Não estão dadas as condições para que se inicie rapidamente esse processo de integração’’, argumentou Lampreia, referindo-se aos 34 países do continente americano.
Para o ministro, tanto os Estados Unidos precisam decidir se vale a pena abrir certos setores para a concorrência, como o Brasil precisa definir se deve eliminar tarifas que hoje protegem alguns segmentos. ‘‘Um segundo choque liberal abrindo a aduana para outros produtos seria equivocada, seria uma liquidação da indústria brasileira e da indústria argentina’’.
Lampreia criticou o estudo do economista do Banco Mundial que classificou o Mercosul como protecionismo disfarçado. Ele disse que o comércio entre os países do Mercosul cresceu 300% desde 1991, mas o comércio do Mercosul com o resto do mundo também cresceu neste período, passando de US$ 25 bilhões para US$ 55 bilhões. ‘‘É natural que cresça mais entre os países membros, isso ocorre em todos os demais blocos econômicos’’, observou o chanceler brasileiro.

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