Lalon volta a atender demanda nacional
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sexta-feira, 07 de julho de 2017
Aline Machado Parodi<br>Reportagem Local 

O Lalon (Laboratório Têxtil de Londrina) do Ipem-PR (Instituto de Pesos e Medidas do Paraná) voltou a atender os órgãos estaduais de fiscalização. É o único laboratório público do País acreditado pelo Inmetro para verificar a composição química dos produtos têxteis. Desde 2015, o laboratório estava atendendo apenas as demandas do Ipem-PR por causa do corte de investimentos nos órgãos da Rede Brasileira de Metrologia e Qualidade do Inmetro.
A unidade conta com dois laboratórios para ensaios químicos e físicos de amostras coletadas pelos fiscais do Inmetro e dos Ipem estaduais. Os técnicos analisam a composição química dos tecidos conforme a descrição nas etiquetas. A intenção do Ipem é que o Lalon realize em média 2.000 análises por mês. Hoje, o laboratório faz em torno de 300 ensaios mensais.
De acordo com o responsável técnico do Lalon, Renan Dutra, em torno de 80% das amostras analisadas apresentam problemas. "É um índice muito alto, que às vezes ocorre porque a indústria não tem conhecimento do produto com que está trabalhando e, em outros casos, porque tenta baratear o custo de produção", disse.
A inatividade do Lalon, de acordo com o diretor-presidente do Ipem-PR, Bernardino Barreto de Oliveira, estava provocando uma série de prejuízos para a cadeia têxtil. "Temos um grande problema de erros na composição dos tecidos e a falta de fiscalização faz com que as fraudes aumentem. Com a reabertura, vamos treinar os técnicos (fiscais) para quando tocarem no tecido já terem a capacidade de fazer uma pré-verificação, aumentando assim a nossa margem de acerto", afirmou Oliveira. Segundo ele, a fiscalização e confirmação das fraudes por meio de testes químicos protegem o consumidor e a cadeia produtiva.
No Brasil há outros dois laboratórios têxteis privados, um no Rio de Janeiro, e outro, em Blumenau (SC). Por causa do custo alto das análises, os órgãos da rede não estavam realizando fiscalização. "Com a reabertura do laboratório público eles têm para onde encaminhar a custo zero", disse Oliveira.
Investimento
O Inmetro destinou em torno de R$ 1 milhão para a reabertura do Lalon, que agora conta com um seis equipes técnicas e modernas instalações. O laboratório também atende a demanda da indústria, que representa em torno de 10% das análises realizadas.
O presidente do Inmetro, Carlos Augusto de Azevedo, afirmou que o Lalon traz qualidade ao produto têxtil nacional e competitividade para as empresas no mercado externo. "Sem atingir um patamar de qualidade não teremos competitividade", disse.
A intenção do Inmetro é que o Lalon faça todos os testes previstos na norma europeia Ecotex (de regulamentação de qualidade). "Assim vamos abrir ainda mais o mercado europeu aos produtos brasileiros", afirmou. Azevedo também enfatizou que com o Lalon permitirá um maior rigor na fiscalização, inibindo as fraudes.


