O Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento (Lactec), órgão de pesquisa ligado à Copel, inaugura hoje a primeira unidade de célula a combustível da América Latina. As instalações permitirão que seja intensificado o estudo em relação à fonte de energia à base de hidrogênio, que é considerada hoje a energia do futuro pelo fato de não ser poluente. A célula a combustível poderá a curto prazo ser utilizada em carros, residências e nas empresas.
A energia a partir da célula a combustível é uma nova fonte que está em estudo em todo o mundo. Há 220 unidades instaladas nos Estados Unidos, Europa e Japão, países onde as pesquisas estão em fase mais adiantada. O problema é que eles ainda não conseguiram dominar toda a tecnologia. Os estudos caminham para que dentro de 20 anos seja possível fazer a reação química que produz energia sem que haja dano ambiental.
A célula a combustível se dá pela reação química do hidrogênio e do oxigênio que produz eletricidade, calor e água pura. Por enquanto, o hidrogênio é extraído da quebra das moléculas do gás natural, que durante o processo acaba por liberar o gás carbônico (CO2). O desafio dos pesquisadores é encontrar uma fonte limpa para obter hidrogênio, substância que não é encontrada livre na natureza.
Os pesquisadores afirmam que, no futuro, o objetivo é extrair a molécula de hidrogênio da água. Quando se chegar a essa fase, o subproduto da célula a combustível será apenas água pura. Por enquanto, é o gás carbônico.
As pesquisas em todo o mundo caminham a passos largos. No Brasil, várias universidades estão com estudos. O Lactec entrou no projeto há três anos e contou com o apoio da UFPR, Associação Comercial, Federação das Indústrias do Paraná e Instituto de Engenharia do Paraná. ''Queremos adaptar a tecnologia para atender às necessidades brasileiras'', afirmou o pesquisador do Lactec, Patrício Rodolfo Impinnisi. Já foram investidos US$ 2,5 milhões apenas para a compra das unidades de célula a combustível.
Além da unidade instalada hoje na sede da Copel, o Lactec colocará uma unidade no próprio instituto e uma terceira em um hospital ainda a ser definido. O hospital ou as empresas que passarem a usar a célula a combustível serão abastecidas com energia elétrica e com calor.
Uma unidade produz 200 quilowatts de energia elétrica e 200 quilowatts de energia térmica, quantidade suficiente para abastecer com luz e calor entre 150 e 200 residências de médio porte. ''Num futuro próximo as pessoas poderão instalar em suas residências aparelhos de célula a combustível, se desligando da concessionárias de energia'', explica Impinnisi. Hoje, o preço é de US$ 8 mil, valor inacessível para a maioria da população.
Por enquanto, a célula a combustível é uma energia mais cara. Ela custa R$ 300 o quilowatt/hora gerado. A energia da rede elétrica comum custa R$ 265 KW/h. A tendência é a redução dos valores à medida em que a tecnologia seja dominada e ganhe mercado mundial.

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