Carmem Murara
De Curitiba
A indústria de chocolates Kraft Lacta Suchard iniciou ontem o processo de fechamento de parte das unidades alimentícias em São Paulo, com a assinatura do protocolo de intenções com o governo do Paraná. Isto representa a seleção dos funcionários paulistas que serão transferidos para a nova sede, na Cidade Industrial de Curitiba. A estimativa é que 20% dos 750 operários da linha de produção e 118 executivos façam a opção pela mudança para garantir a manutenção do emprego. O restante será demitido ou relocado para unidades da Philip Morris que vão ser mantidas na capital paulista.
O fechamento de duas fábricas da Lacta foi confirmado pela diretoria da Philip Morris – empresa controladora – durante a solenidade no Palácio Iguaçu, ontem. O evento contou com a presença do presidente da Philip Morris no Mercosul, Joachim Krawozyk.
O vice-presidente de Assuntos Corporativos, Clodoaldo Celentano, disse que a transferência para Curitiba representará uma redução de até 20% nos custos que a empresa tem hoje em São Paulo. O enxugamento das despesas está também no fato de o escritório administrativo sair de São Paulo, mantendo na capital paulista apenas uma regional para o Mercosul. Cerca de 250 funcionários deverão ser contratados para o escritório curitibano.
Para produzir os refrescos Tang e Clight e os chocolates Amandita, Brek e Lancy, a Lacta vai gerar cerca de 900 empregos diretos. Eles vão trabalhar na antiga instalação da Philip Morris, fechada desde o início do ano. Além de tentar transferir parte do quadro de funcionários, a Philip Morris tem um compromisso com os cerca de 1,5 mil empregados demitidos da fábrica de cigaros, em outubro e início do ano. ‘‘Vamos requalificar e contratar muitos funcionários que trabalharam conosco na fábrica de cigarros’’, afirmou o diretor de Recursos Humanos, Augusto Nacarini. A médio prazo a fábrica terá até 3 mil funcionários.
A Lacta vai transferir 100% da produção de refrescos e 10% da fabricação dos chocolates para Curitiba, que hoje é de 50 mil toneladas ao ano. Mas a intenção é esvaziar aos poucos as unidades de São Paulo. O investimento será de R$ 70 milhões, podendo chegar a mais de R$ 200 milhões, dependendo das condições de mercado e demanda. A Lacta produz para atender, basicamente, o mercado nacional, mas há planos de intensificar a exportação para o Mercosul.

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