A Lacta, líder do mercado de chocolates no País, anunciou ontem que vai fechar a unidade do Brooklin (SP), transferir a produção para Curitiba e demitir 1,8 mil funcionários. Segundo informações da empresa, o fechamento da fábrica deve acontecer em um prazo de 18 meses. Essa é a segunda unidade da Lacta que será desativada em São Paulo. A fábrica de Pinheiros, que emprega 228 funcionários e produz os chocolates Lancy e Brek e os biscoitos Amandita, será fechada até o final deste mês.
O diretor de Assuntos Corporativos da Lacta, Clodoaldo Celentano, disse que o principal motivo da transferência é que o grupo pretende concentrar toda a produção de chocolates em Curitiba.
‘‘Em Pinheiros e no Brooklin não há capacidade para ampliar a produção e permitir o desenvolvimento de novos produtos. São unidades com linha de produção vertical, o que dificulta o processo de modernização e a automatização’’, afirmou o diretor da empresa.
Na unidade do Brooklin são produzidos ovos de Páscoa, chocolates em barra, como o Diamante Negro e o Laka, e bombons - Sonho de Valsa e Bis. A fábrica emprega 1,8 mil funcionários efetivos e 700 temporários - cujos contratos vencem no final deste mês. Não há planos de transferir os trabalhadores para Curitiba.
‘‘Temos preocupação com o impacto social dessa atitude. Por isso, as linhas de produção serão transferidas gradualmente’’, afirmou Celentano. Segundo ele, a empresa também promoverá programas de requalificação profissional e de treinamento para os funcionários.
A Lacta informou que os trabalhadores devem receber um pacote de incentivos que inclui gratificação por tempo de serviço e de acordo com a idade do funcionário, além de plano de assistência médica.
O diretor da Lacta, que pertence ao grupo Philip Morris desde 1996, descartou que a mudança está relacionada ao programa de incentivos fiscais oferecidos pelo governo do Paraná.
‘‘Os incentivos estão suspensos por uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal). Também recebemos convite da Bahia, mas a nossa opção é porque já existe uma fábrica desde 98 em Curitiba. A produção pode passar de 50 mil toneladas para 95 mil toneladas com a mudança.’’ O presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Alimentação, Salvador Pinheiro, disse hoje que a atitude surpreendeu os funcionários.

mockup