Vânia Casado
De Curitiba
Com a instalação da indústria de chocolates Lacta no Paraná, a Secretaria da Agricultura do Paraná vai acelerar um plano de revitalização da produção de leite no Estado. Só com a vinda da Lacta e da indústria de queijos Schreiber, que está se instalando em Rio Azul, a demanda adicional de leite fluído é de no mínimo 700.000 litros de leite por dia. Para atender essa necessidade de captação e suprir a capacidade de produção das indústrias de laticínios, já existentes, que encontram-se ociosas, é necessário elevar a produção em 1 milhão de litros de leite por dia, já a partir de janeiro do ano 2.000.
Para atender a demanda está em curso a elaboração de um plano coordenado pelo governo estadual, através das secretarias da Agricultura, Indústria e Comércio e Ciência e Tecnologia, prefeituras municipais e a iniciativa privada. A parceria deverá envolver várias entidades representantes de produtores e da indústria e será desenvolvida nos mesmos moldes das ações que revitalizaram o café paranaense. A linha mestra do plano será a capacitação e profissionalização dos produtores e apoio para investimentos em material genético para melhorar o plantel na propriedade.
Segundo o diretor do departamento de Pecuária da Secretaria da Agricultura, Cesar Amin Pasqualin, estima-se capacitar aproximadamente 1.200 produtores de leite, principalmente das regiões Sul, Central, Centro-Sul e Sudoeste. A previsão é de investir R$ 150 mil em cursos de capacitação, com recursos do programa Paraná 12 Meses. Os cursos serão realizados no Colégio Agrícola Olegário de Macedo e no Centro de Pecuaristas, no município de Castro, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar).
O Paraná é o quinto produtor nacional de leite e contribui com 8,5% da produção nacional, estimada em 1,8 bilhão de litros de leite por ano. Desse total, 60% é colocada no mercado formal e 40% ainda está no mercado informal. O maior ativo do Estado é a bacia leiteira com um rebanho de 2 milhões de cabeças e 1,35 milhão de vacas ordenhadas. No setor industrial, o desempenho também deverá ser melhorado com a superação da capacidade ociosa das indústrias. Atualmente, são processados no estado 226,8 milhões de litros de leite por ano, 21,8 mil t de queijos, 2,5 mil toneladas de manteiga, 2,9 mil t de leite em pó e 40 mil t de iogurtes e bebidas lácteas.
Para o secretário da Agricultura, Antonio Poloni, uma das alternativas para o plano de revitalização do leite é investir em setores que proporcionam retorno imediato. Os programas de genética e alimentação podem proporcionar retorno em um ano. Paralelamente, poderá ser incentivada a inseminação artificial, cujos resultados mais significativos para mudar o perfil de produção são esperados num prazo de três anos.
Para Ronei Volpi, superintendente do Senar e presidente da Comissão de Pecuária Leiteira, da Faep, não há muito tempo a perder para promover as mudanças necessárias no perfil de produção da pecuária leiteira. Ele argumenta que além da demanda criada pelas indústrias de grande porte, existe uma nova legislação para entrar em vigor a partir de junho de 2002 que vai exigir padrão de produção de nível internacional. Para se enquadrar na nova legislação, o produtor terá que ter equipamentos de resfriamento de leite na propriedade e conferir constantemente o padrão microbiológico do leite na propriedade.

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