A Secretaria Estadual da Saúde, por meio do Laboratório Central do Estado (Lacen-PR), divulgou na tarde de ontem os primeiros resultados de dez amostras de quatro marcas de leite (Líder, Mu-mu, Cativa e Polly), sendo as duas últimas da Agroindustrial Cooperativa Central (Confepar), com sede em Londrina. Os resultados foram negativos para a presença de formol.
O laboratório ainda vai analisar a suposta contaminação por outras substâncias. Por meio da Agência Estadual de Notícias, a diretora do Lacen, Célia Fagundes, diz que a adição de formol é apenas uma das possíveis fraudes utilizadas para aumentar o volume do leite. "Já estamos adquirindo uma série de reagentes que vão possibilitar identificar adulterações com ureia, amido, cloreto de sódio e água oxigenada", afirmou.
Os laudos foram encaminhados ao Ministério Público, que está acompanhando os casos de fraude. Todos os produtos avaliados foram coletados em mercados de Curitiba, Colombo e Londrina na semana passada. Vigilâncias Sanitárias de outras cidades também estão orientadas a coletar amostras, principalmente de lotes produzidos entre fevereiro e março.
Ainda conforme informações da agência estadual, o superintendente de Vigilância de Curitiba, Sezifredo Paz, disse que as fiscalizações foram intensificadas depois que produtos irregulares vindos do Rio Grande do Sul estavam sendo vendidos no Paraná. "Por enquanto, não há a comprovação de adulteração nos leites produzidos em nosso Estado", destacou. Nesta semana, além das amostras já recebidas, o Lacen avaliará produtos de fornecedores do programa "Leite das Crianças". A fiscalização de fraude envolve tanto o leite tipo longa vida, quanto o pasteurizado.
Independentemente do resultado negativo, os promotores do MP do Rio Grande do Sul, onde foi deflagrada no início deste mês a Operação Leite Compen$ado que investiga a adulteração de leite, ressaltam que há provas contundentes de que a cooperativa com sede em Londrina recebeu quase dois milhões de litros de produto adulterado entre janeiro e maio deste ano. O promotor Mauro Rockembach, disse à reportagem da FOLHA que "o MP possui o extrato das contas do transportador delator, demonstrando mês a mês os depósitos realizados pela Confepar para o pagamento do frete e recebimento do leite".
O promotor salienta que a Confepar não se posicionou até o momento sobre o que fez com o leite recebido. Além disso, ele diz que a cooperativa deveria ter deixado separada, para análise de um laboratório credenciado pelo Ministério da Agricultura (Mapa), parte do produto recebido em fevereiro.
Segundo Rockembach, a Confepar admitiu que recebeu a recomendação de que o leite originário dos seis postos de resfriamento do RS deveria ser separado e somente levado a consumo depois de analisado por um laboratório. "A cooperativa não disse até hoje o destino deste leite, se recebeu, processou, rejeitou, inutilizou, separou para derivados ou se colocou para consumo", relata o promotor.
Após a conclusão desta etapa, provavelmente amanhã, a promotoria gaúcha deve iniciar a terceira fase da operação Leite Compe$ado. Segundo o promotor, não há indícios de que a Confepar tenha participado de fraudes nesta nova etapa. "Já foi divulgado tudo o que foi investigado sobre a cooperativa", concluiu.
O Ministério Público em Londrina aguarda o depoimento completo do transportador de leite, Antonio Pedro Signor, que admitiu ao MP gaúcho, durante as investigações, que não só fraudava o produto, mas também o entregava na Confepar.
A FOLHA tentou contato com o promotor de Saúde de Londrina, Paulo Tavares, para saber quais serão as próximas ações do MP na cidade em relação ao caso, mas ele não atendeu as ligações. A reportagem tentou contato com representantes da Confepar, mas não conseguiu encontrar ninguém na empresa.

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