Laboratórios vão garantir café do PR
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sexta-feira, 04 de julho de 1997
Vânia Casado CURITIBA 
Albari RosaConquistar clientesBeltrão:Aos olhos do mercado só laboratórios especializados podem garantir qualidade As universidades do Paraná e os institutos de pesquisas serão estimulados a implantar laboratórios especializados em aferir a qualidade do café como bebida. O projeto é do secretário da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Alexandre Beltrão. Ele acumula larga experiência em qualidade de café para o mercado internacional: durante 27 anos foi diretor executivo da Organização Internacional do Café (OIC), em Londres.
Beltrão quer instalar nesses laboratórios um painel semelhante ao criado por ele na OIC, que permite a análise sensorial do café. Através da avaliação de diversos itens esse painel vai fornecer o grau de qualidade da bebida e se o gosto atende ou não ao paladar de países importadores. O paladar é que vai determinar se a bebida tem qualidade ou não. O resultado dessa avaliação vai ajudar os produtores a investirem em técnicas modernas de colheita que proporcionam a melhoria da qualidade do café do Paraná.
Segundo o secretário, aos olhos do mercado, não adianta produtores e governo falarem que a qualidade do café paranaense melhorou. Essa afirmação precisa ser comprovada de forma precisa e isenta de vínculos. Só os laboratórios especializados podem fazer isto, salientou. A tendência, segundo Beltrão, é desenvolver mais laboratórios de análises de alimentos, para atender às exigências do mercado externo.
O benefício dessas inovações para o produtor é imenso, na opinião de Beltrão, porque ele deverá ter toda a orientação de qual produto deve colocar no mercado se quiser alcançar um preço melhor. Somente um produto auditado e certificado tem garantia de venda e preço justo no mercado, lembrou.
A orientação para desenvolver laboratórios especializados em avaliar a qualidade da bebida do café é a contribuição do secretário Alex Beltrão para o programa de café adensado, que está sendo estimulado pelo governo do Estado. Beltrão enfatizou que ele não está alheio ao processo, pelo contrário, tem procurado dar sugestões a partir de sua experiência na OIC, órgão que reúne 74 países-membros entre produtores e importadores.
Beltrão explicou que não pode dar assistência direta ao programa, que segundo ele, vem sendo muito bem conduzido pela Secretaria da Agricultura, porque está se dedicando à área industrial e pretende ajudar o programa na medida que ele for avançando. Beltrão elogiou o trabalho desenvolvido pelo Iapar na seleção de variedades que estão sendo oferecidas ao produtor e salientou que nessa parte não tem muito o que dar palpites. Mas acrescenta que na fase em que o café deixa de ser um produto agrícola, para se transformar em bebida, tem muito a contribuir.
Beltrão salientou que o café como bebida precisa ser tratado como vinho, em que a qualidade deve ser a melhor possível. Para isso, os cuidados devem começar na lavoura com a seleção de mudas apropriadas depois com a adoção da técnica do plantio adensado que permite a separação de grãos verdes dos grãos maduros na hora da colheita. Segundo o secretário, a homogeneidade de grãos maduros é que vai garantir a qualidade da bebida. E a hora de pensar nisso é agora que o plantio de café está sendo reformulado no Paraná. É na hora de plantar e produzir, que se destaca a diferença de qualidade, afirmou.
O secretário da Ciência e Tecnologia admite que o café do Paraná ainda sofre discriminação no mercado e que ela tem contribuído para depreciar os preços do produto, principalmente no mercado internacional. Segundo ele, isso acontece porque a produção convencional paranaense tinha uma concentração de colheita num período muito curto. Além disso, a colheita tradicional, por derriça, em que se puxa todos os grãos do galho, colhendo tanto os grãos maduros como os verdes, é a principal causa da falta de qualidade. Os grãos são colocados juntos para secar e o sol mascara tudo, nivelando os grãos verdes e maduros. O secretário explica que os grãos verdes derrubam a qualidade da produção e provocam uma diferença no gosto da bebida.
Isto já não acontece com a técnica do plantio adensado em que os produtores catam apenas os grãos maduros, que derrubam no pano, dando mais homogeneidade à produção e ainda evita o contato com o chão, onde o produto acaba sendo misturado a terra e cascalhos do solo. Além disso, os novos equipamentos que estão sendo introduzidos com o plantio adensado como os descascadores de grão, ajudam a garantir a qualidade e pureza do produto.


