Laboratório paranaense faz análises de transgenia
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quarta-feira, 20 de abril de 2005
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O laboratório paranaense Frischmann Aisengart foi credenciado pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento para fazer análises e quantificação do teor de transgenia nos alimentos. O laboratório já presta esse serviço para as grandes indústrias exportadoras e tradings há cerca de um ano. Recentemente, recebeu o credenciamento para atender também as indústrias que vendem alimentos no mercado interno.
No Paraná, um projeto de lei de autoria da deputada Luciana Rafagnin (PT) que começou a tramitar na Assembléia Legislativa, prevê a obrigatoriedade da identificação e rotulagem nos alimentos de procedência de organismos geneticamente modificados. Apesar de já existir um decreto federal, obrigando a rotulagem, a deputada justificou que, com uma lei estadual, os órgãos do governo estadual poderão fiscalizar os alimentos expostos no comércio, ''atribuição não exercida pelo Ministério da Saúde, responsável pelo cumprimento do decreto federal''.
Segundo Luciana, ''não se vê ninguém cobrando a legislação que já existe e os consumidores nem sabem exatamente o que estão comprando, sendo que eles têm esse direito. A deputada argumentou que, por ser uma lei estadual, talvez os órgãos de fiscalização do governo do Estado tenham mais eficiência para obrigar o cumprimento da legislação.
Atualmente apenas cinco laboratórios brasileiros são credenciados pelo ministério a fazer os exames de transgenia, sendo que quatro deles são grandes empresas multinacionais e apenas um de pesquisa pública, na Universidade de Viçosa (MG). O laboratório Frischmann investiu cerca de R$ 500 mil na importação de equipamentos, adaptação da infra-estrutura e capacitação da equipe.
O laboratório tem capacidade de fazer mais de duas mil análises por mês de alimentos in natura, semi-processados e altamente processados, informou Marcelo Malaghini, responsável técnico pelo setor de transgenia do laboratório. O período de entrega dos resultados vai de três a cinco dias úteis, dependendo do processamento industrial do alimento. ''Cada etapa de processamento reduz a quantidade do DNA de organismos geneticamente modificados no alimento, daí a necessidade de mais tempo nas análises laboratoriais'', explicou.
O Frischmann Aisengart vem investindo em novas divisões laboratoriais há cerca de três anos, quando abriu o laboratório de análises ambientais. Segundo Malaghini, o laboratório identificou nas análises de transgenia de alimentos um mercado a ser explorado em função da edição do decreto federal que obriga a informação da presença de transgênicos, acima do limite de 1%, em todo alimento destinado ao consumo humano ou animal.
Malaghini explicou que as empresas exportadoras precisam se adaptar à legislação dos países compradores e por isso procuram o laboratório para as análises de transgenia.''Nem sempre, os alimentos transgênicos são descartados para exportação, mas os compradores exigem a identificação'', afirmou.


