Laboratório acredita que PR não tenha aftosa
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 31 de outubro de 2005
Vera Barão<br> Reportagem Local 
Tudo indica que a terceira coleta de material enviada para o Laboratório Nacional Agropecuário (Lanagro), em Belém do Pará, para detectar a ocorrência de um surto de febre aftosa no Paraná, terá resultado negativo. A Folha apurou junto ao Lanagro que as 32 amostras do material enviado pela terceira vez podem não constatar a doença, assim como ocorreram com as primeiras 568 amostras examinadas que deram resultado negativo. ''Pelo material que temos e pela nossa experiência, tudo leva a crer que não teremos aftosa no Paraná'', declarou o chefe do setor de virologia do Lanagro, Antonio Júlio Delgado Montenegro.
No entanto, a agonia de produtores rurais do Estado deve permanecer por mais sete ou oito dias. Os resultados, segundo Montenegro, só devem ficar prontos no início da semana que vem, e não hoje, como previa o secretário de Agricultura e Abastecimento, Orlando Pessuti. Em entrevista no domingo à Folha, ele disse que se o resultado saísse hoje, estaria dentro do prazo, se comparado com o do Mato Grosso do Sul, que constatou a doença em 10 dias.
Conforme Montenegro, o exame das células raspadas do esôfago dos animais, conhecido como ''Probang'' começou a ser processado ontem e o resultado só deverá ser conhecido no início da semana que vem. ''Não podíamos fazer o Probang do Paraná junto com o material do Mato Grosso do Sul, para evitarmos contaminação'', explicou o chefe do setor de virologia. Porém, montamos um organograma para agilizarmos os resultados dos exames do Paraná, até porque estamos acompanhando o sofrimento dos produtores e das autoridades do Estado'', afirmou Montenegro.
Segundo ele, os resultados dos exames do Mato Grosso do Sul saíram mais rápido porque desde o início já se constatou a doença. ''Quando o resultado é negativo temos que ter a contraprova e isso pode demorar mais'', explicou o virologista, acrescentando que o material para detectar a aftosa tem que ter todo um cuidado no encaminhamento. ''Se o material for insuficiente temos que fazer a passagem de células. Ou seja, pegamos o material e inoculamos em garrafas com células ou em camundongos para obtermos maior quantidade de vírus. Cada passagem dessa, leva, no mínimo, 48 horas para chegar aos resultados'', argumentou. ''Sem contar os eventuais problemas de contaminação, que podem atrasar ainda mais os trabalhos'', complementou.
ABATE - Representantes da secretaria estadual de Agricultura e Abastecimento e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) confirmaram ontem, na Sociedade Rural do Paraná que um animal foi abatido durante este final de semana. O boi estava sob suspeita de ter contraído a doença e pertenceria à Fazenda Cesumar, de Maringá. O abate foi necessário para que fosse feita a necrópsia nos órgãos do boi - como coração, esôfago, fígado, língua.
A informação surpreendeu até mesmo o presidente da Sociedade Rural do Paraná, Edson Neme Ruiz, que disse desconhecer o fato. Segundo ele, realmente o MAPA solicitou o abate de um animal no Paraná, na última quinta-feira, mas os pecuaristas não teriam autorizado. (Colaborou Fernanda Mazzini)


