A anomalia climática La Niña, que provoca a formação de bolsões de água fria no Oceano Pacífico e seca na região Sul do País, está chegando ao fim depois de uma de suas edições mais demoradas. Foram 20 meses de atividade, que devem terminar em meados de junho. O quadro no Pacífico ainda é instável e não permite saber se haverá um novo El Niño - oposto ao fenômeno atual, provoca a formação de piscinas oceânicas de água quente e altera o clima global, principalmente nas Américas.
A previsão do fim do La Niña entre o final de maio e meados de junho é confirmada pelos grandes núcleos de estudos climáticos do mundo, como o centro de climatologia da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA), dos Estados Unidos, e o Centro Europeu. No Brasil, os modelos usados pelos supercomputadores do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (Cptec), do Instituto Nacional Pesquisas Espaciais (Inpe), confirmam esse prognóstico.
O meteorologista do Cptec e integrante do Painel de Mudanças Climáticas Globais, José Antonio Marengo, explica que esses fenômenos estão ficando cada vez mais intensos e longos, o que não ocorria, por exemplo, na década de 70. Essa instabilidade nos padrões climáticos dificulta uma análise mais precisa do surgimento de anomalias como La Niña ou El Niño, apesar de os bolsões de água quente já surgirem no Pacífico. ’’Não sabemos ainda se esse quadro atual pode evoluir para um El Niño’’, diz.
As piscinas de águas aquecidas estão estacionadas elonge da costa do Peru, onde aumenta a influência no clima do continente. Se ocorrer o crescimento destas formações, isto só será visto a partir de agosto e setembro. O NOAA, segundo Marengo, mostra em seus modelos que esses bolsões no leste do Pacífico estão com a temperatura mais baixas do que as registradas na formação do El NiÀo em 1997. ’’Vamos aguardar essa fase de transição para ver se haverá um quadro mais definido, por enquanto é prematuro falar em um novo El Niño’’, disse o cientista.
Confirmada a previsão é quase certo que o novo período de estiagem que comprometeu as culturas de inverno em várias regiões do Sul do País está chegando ao fim. No Paraná as regiões mais castigadas foram o Norte, Noroeste e Norte Pioneiro. Mas as chuvas foram insuficientes em quase todo o Estado. A seca, interrompida ontem com índice ainda baixo, foi implacável no Norte Pioneiro. Nas lavouras de café, chegou a comprometer os grãos em formação (chumbinho) que podem resultar em maior proporção de palha nos grãos, que vão secar antes mesmo da maturação e enchimento.

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