O agricultor olha para o céu e se pergunta: o que minha lavoura vai enfrentar daqui pra frente? Ora estiagem no plantio, ora chuva na colheita, quando não vem a geada e atrapalha toda a produção, como ocorreu recentemente. Movimentos climáticos que, definitivamente, têm peso no agronegócio. E para o segundo semestre de 2016, um fenômeno que há alguns anos não "dava as caras" pode aparecer e atrapalhar as culturas que estão por vir: a La Niña deve apontar por aí, incidindo sobre a safra norte-americana e também na América do Sul.
Ainda é cedo para confirmar qual será o peso dela na agricultura mundial e, claro, paranaense. Entretanto, muitos especialistas em meteorologia já cravam 100% de chance de uma ação do fenômeno, que ocorre devido ao resfriamento das águas do oceano Pacífico, configurando chuvas irregulares, mal distribuídas e clima mais seco na região Sul. No caso do El Ninõ, acontece o contrário: há um aquecimento das águas do Pacífico, aumentando consideravelmente os índices pluviométricos.

Deficit hídrico
O meteorologista do Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar) Samuel Broun comenta que há grande possibilidade da La Niña ocorrer, mas ainda é difícil definir a intensidade. A expectativa é que ela impacte no final do inverno e início da primavera, se estendendo pelo verão. "É muito cedo para dizer se será fraca ou moderada. A última fez que o fenômeno veio forte e impactou no Estado foi em 2007. Dependendo da época, pode gerar um deficit hídrico e afetar o agronegócio".
Já o meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) Luiz Renato Lazinski não tem dúvidas de que já está acontecendo uma transição do fenômeno El Niño para La Niña, inclusive justificando as temperaturas mais baixas no Estado. "O fenômeno vai influenciar nosso clima até o final da safra de verão. Existe uma mudança de padrão das chuvas e temperaturas".
Lazinski ressalta que para as culturas do inverno será excelente, pelo clima frio e seco. "Entretanto, já tivemos geadas no cedo e teremos no tarde, no final de setembro, podendo atrapalhar o trigo e a cevada".
E se o verão foi interessante para o produtor nos últimos quatro anos, desta vez não será tão favorável. "Essa irregularidade na distribuição de chuvas deve gerar áreas com ótima produtividade, mas outras nem tanto assim. Teremos diversos veranicos ao longo da safra", complementa.

Deral
O diretor do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura (Seab), Francisco Carlos Simioni, é mais moderado em relação ao impacto que a La Niña pode ter no agronegócio paranaense. "Existem dúvidas de como será seu comportamento efetivamente".
Entretanto, ele comenta que, caso de fato ela ocorra, num primeiro momento não atrapalharia as culturas de inverno. "Se ela vier, o inverno será mais seco, já com o milho encaminhando para a colheita com o trigo, que se adapta bem a este tipo de estação. Tanto excesso como falta de chuvas são ruins, o que sempre queremos é que as estações estejam em regime normal", explica.
A soja da safra 2016/17 também pode acabar sofrendo caso a La Niña apareça. Isso porque o momento de plantio pode se tornar mais seco que o habitual. "Ainda são apenas especulações nas quais não podemos ficar fazendo muito alarde", finaliza Simioni.

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