La Niña deve reduzir chuvas no Sul
Os agricultores brasileiros devem se preparar para nesta safra conviver com o fenômeno climático La Ni¤a. Ao contrário do El NiÀo, a La Li¤a é decorrente do resfriamento das águas superficiais no Oceano Pacífico, que passam dos habituais 25ºC para cerca de 23ºC a 22ºC.
Segundo o Centro de Previsão do Tempo e Estudos do Clima do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC/INPE), os principais efeitos de episódios do La Ni¤a observados sobre o Brasil são: passagens rápidas de frentes frias sobre a Região Sul, com tendência de diminuição da precipitação nos meses de setembro a fevereiro, principalmente no Rio Grande do Sul; temperaturas próximas da média climatológica ou ligeiramente abaixo da média sobre a Região Sudeste, durante o inverno; chegada das frentes frias até a Região Nordeste, principalmente no litoral da Bahia, Sergipe e Alagoas; tendência às chuvas abundantes no norte e leste da Amazônia; possibilidade de chuvas acima da média sobre a região semi-árida do Nordeste do Brasil.
Homero Bergamaschi, professor de Agrometeorologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS), afirma que a maioria dos institutos de meteorologia do mundo acredita que os efeitos do La Ninã serão mais fortemente sentidos no último trimestre de 98.
O Rio Grande do Sul, Santa Catarina e parte do sul do Paraná estão mais propensos a sofrer as alterações causadas pelo La NiÀa, que se caracteriza por índices de chuva abaixo do normal. Se isso acontecer na primavera, diz Bergamaschi, não haverá grandes problemas na região, que tem uma primavera muito úmida, alerta o professor.
Chove bastante no Sul na primavera e a demanda hídrica não é muito grande neste período, explicou. Ele acredita que mesmo cereais de inverno, como a aveia, trigo e centeio, podem ser beneficiados por uma estiagem de primavera, pois estarão no final do ciclo.
O arroz também pode ser beneficiado, na época de preparo do solo e de semeadura. A estiagem de primavera pode prejudicar o feijão das águas, colhido em dezembro. O milho, soja e forrageiras de verão também podem ter prejuízo na semeadura.
No caso de uma estiagem de primavera forte, podem também ser comprometidas as frutas cítricas, o pêssego e as hortaliças não irrigadas, comuns na região serrana gaúcha. Se a estiagem ocorrer no verão, a situação fica mais complicada, pois a Região Sul normalmente já sofre com verões secos.LÚcia Monteiro
ArquivoLa Ni¤aChuva ajudou o preparo do solo. Mas meteorologia ainda prevê secaAgência Estado





