O economista Paul Krugman, do MIT (Massachusetts Institute of Technology), previu ontem que o Brasil sofrerá uma recessão ‘‘terrível’’ nos próximos anos, independentemente do cenário que virá pela frente. Krugman disse que, se o pacote de ajuda financeira internacional que está sendo desenhado para o Brasil for anunciado, o País terá de apertar simultaneamente suas políticas fiscal e monetária, o que significa promover um forte ajuste recessivo.
‘‘O Brasil não é como os EUA, onde os efeitos econômicos de um forte ajuste fiscal podem ser compensados com uma política monetária mais frouxa (juros baixos). Com o pacote que deverá ser anunciado, o Brasil terá de cortar o déficit fiscal para 3% ou 4% do PIB e ao mesmo tempo manter as taxas de juros nos níveis atuais, para evitar a fuga de capitais. Isso significa uma recessão terrível.’’
Segundo ele, o Brasil também sofrerá problemas sérios se tentar consertar o problema desvalorizando agora sua moeda - sugestão do economista de Harvard, Jeffrey Sachs. Para Krugman, não existe mais espaço para uma desvalorização controlada. ‘‘Se o Brasil quiser desvalorizar o Real em 25%, haverá fuga de capitais e a desvalorização acabará em 125%.’’
Krugman participou de um seminário em Washington sobre desenvolvimento e mencionou muito o Brasil como um exemplo da armadilha na qual estariam os mercados emergentes hoje. Para ele, essa armadilha consiste do fato de que as crises independem dos problemas reais nesses países. A única alternativa de o Brasil não sofrer uma forte recessão seria a hipótese (nula, segundo ele) de um pacote de ajuda financeira ‘‘absurdamente grande’’.

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