O Kremlin desmentiu ontem com energia notícia divulgada pela rede americana de TV CBS de que o presidente Boris Yeltsin, incapaz de enfrentar a grave crise econômica russa e sob grande pressão da oposição comunista, assinou carta de renúncia, entregando o poder a Viktor Chernomyrdin, recém-nomeado primeiro-ministro.
‘‘Todas informações sobre renúncia do presidente da Rússia são invenções e mentiras’’, reagiu o governo russo em declaração oficial. ‘‘O presidente Boris Yeltsin mantém todos os poderes que lhe confere a constituição e está, neste momento, preparando-se para uma série de importantes encontros internacionais, figurando, em primeiro lugar, a reunião de hoje com o presidente da Bulgária, Petar Stoyanov.’’
Na declaração, o governo russo dirige um apelo aos meios de comunicação internacionais: ‘‘O Serviço de Imprensa da Presidência dirige-se de forma categórica à CBS e à mídia estrangeira para que não difundam inverdades e não atrapalhem a visita oficial do presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, à Rússia (marcada para setembro).’’
O subsecretário de Estado americano, Strobe Talbott, também desmentiu as versões sobre a renúncia do presidente russo. ‘‘São infundadas’’, garantiu ele a outra rede de TV americana, a CNN. Talbott está na capital russa preparando a cúpula Clinton-Yeltsin.
No entanto, os rumores persistiram, pois Yeltsin, num dos piores momentos enfrentados pelo país que exigem solução política de envergadura, isolou-se numa casa de campo a 100 quilômetros de Moscou. Dali, segundo a imprensa local e lideranças da oposição comunista, estaria ‘‘negociando garantias para ele e a família’’ no caso de ter de entregar o poder. Os comunistas atribuem ao presidente ‘‘responsabilidade total’’ pelo caos econômico e social que envolve a Rússia e não escondem intenção de submetê-lo a julgamento quando ele perder as imunidades inerentes ao cargo.France PresseNa corda bambaO presidente Russo Boris Yeltsin estaria negociando garantias para sua família caso tenha que deixar o poder: comunistas atribuem a ele ‘‘responsabilidade total’’ sobre a crise
crédito:Agência Estado/Reuters

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