As indústrias moageiras de milho esperam um desempenho melhor em 1997, tanto para a economia do País como para o próprio setor, baseadas principalmente na estabilidade dos preços agrícolas e num mercado consumidor mais definido. E para crescer, terão de agregar mais valores e buscar qualidade. Em 96 o setor, com poucas exceções, experimentou crescimento apenas vegetativo em torno de 4%, a nível nacional. A nível de Paraná houve perda de volume físico e de faturamento de 10%, conforme estimativas do setor. A média nacional foi compensada pelo desempenho no Centro-Oeste, beneficiado por preços mais baixos do milho e por incentivos fiscais dos governos daqueles Estados.
Na opinião dos empresários Nelson e Rubens Kowalski, da Kowalski Alimentos, de Apucarana, 97 será melhor. Exemplo mais expressivo de estabilidade na matéria-prima pode ser o próprio milho cujos preços devem voltar aos patamares históricos de US$ 5,50/5,60, no auge da safra. Esses valores mais um diferencial de 6% da paridade cambial vai dar o preço em real do milho ano que vem. ‘‘Um preço normal’’.
Em 1996 o mercado ‘‘puniu’’ os que quiseram se precaver com estoques na expectativa de que os preços tenderiam a aumentar. Ocorreu principalmente com indústrias de ração. Os analistas de mercado chegavam a prever que os preços encostariam em patamares de R$ 10,50 a R$ 11,00 neste final de ano. Isso não se confirmou. Os preços caíram mais de 18% entre junho e novembro e quem carregou estoque está deixando de ser competitivo, ou simplesmente está perdendo dinheiro.
Em 96 houve crescimento de demanda mas nada significativo, segundo os Kowalski, entrevistados ontem por este jornal. As indústrias também detectaram problemas de liquidez localizado a nível de pequenos atacadistas, principalmente no interior. Eles não estão conseguindo competir com grandes redes. A iliquidez do comércio, porém, não se traduz, necessariamente em inadimplência. O setor trabalha com juros de 2,5% a 3%, abaixo das taxas de desconto de duplicatas, em média acima de 4%.
Perguntado sobre o mercado futuro do milho - iniciado ontem na Bolsa Mercantil e de Futuros (BM&F) -, Kowalski observa que esta modalidade de vendas é mais uma opção de mercado, hoje meio confuso, com compradores retraídos, ao mesmo tempo em que aumentam as ofertas tanto em Goiás como no Paraná.
Através do mercado futuro é possível fazer cotação para 12 meses e vender o produto acabado por contrato de 12 meses. Comprando o contrato de acordo com projeções de vendas.

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