Köhler admite que crise argentina é um fracasso do FMI
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quarta-feira, 23 de janeiro de 2002
Agência Estado 
Paris O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Horst Köhler, afirmou ontem que a crise argentina é um fracasso do Fundo e de toda a comunidade financeira internacional e que o sistema de subsídios agrícolas da União Européia é parcialmente culpado pelas dificuldades econômicas enfrentadas pelo país. Em entrevista ao jornal francês Le Monde, öKhler reconheceu que a instituição cometeu erros ao lidar com a crise argentina e disse que, embora os problemas do país tenham sido agravados pela desaceleração da economia global e pela alta do dólar, os europeus, ao manterem seu anacrônico sistema de proteção à agricultura, não estão acima das críticas.
O diretor do FMI fez um mea culpa, admitindo que a instituição poderia ter prestado mais atenção na evolução da situação argentina um pouco mais cedo, principalmente no que se refere à solidez de suas instituições e aos seus valores sociais. Nosso erro foi não dizer com frequência, ou suficientemente alto, no fim dos anos 90, que a desintegração das instituições argentinas teria um custo alto. Nós não prestamos atenção suficiente aos lapsos da política de Menem, disse o número um do Fundo Monetário, lembrando que, embora o FMI tenha advertido a Argentina sobre a necessidade de políticas fiscais virtuosas, para que a conversibilidade peso/dólar funcionasse, obviamente, esses alertas não foram suficientemente fortes.
Köhler também disse que há um risco de a Argentina ficar marginalizada por causa do colapso de sua economia, mas espera que isso não venha a acontecer. Para o diretor-gerente do FMI, não importa o que aconteça na Argentina, o resultado será doloroso para os seus cidadãos. Ele reafirmou que a instituição continua disposta a ajudar o país, mas advertiu que é preciso ser claro, pois a via do crescimento não passa pelo populismo. O presidente Eduardo Duhalde está ciente desses problemas, e nós precisamos dar a ele o benefício da dúvida. Devemos também ser honestos, mesmo porque não existe saída para a Argentina sem sofrimentos, acrescentou.
Depois de reconhecer que há risco de radicalização maior na Argentina, o diretor-gerente do FMI, mesmo conhecendo as consequências da suspensão da ajuda financeira ao país, disse que repetiria a decisão porque as raízes do mal se encontram na própria Argentina, e só os argentinos podem ajudar a si próprios.
Segundo Köhler, o FMI não é uma instituição que pode imprimir dinheiro para resolver o problema da Argentina e também não pode adotar iniciativas políticas, devendo concentrar-se nas condições econômicas que poderiam deteriorar-se ainda mais se a decisão não tivesse sido adotada. Köhler explicou que, se o FMI tivesse interrompido sua ajuda financeira ao país em agosto de 2001, teria sido pior. O Fundo, na época, pretendia dar mais tempo aos argentinos para que eles pudessem rever sua estratégia.


