Paulo Sotero
Agência Estado
Caio Koch-Weser, vice-ministro das Finanças da Alemanha – que é paranaense, de Rolândia – está cotado para assumir a direção do Fundo Monetário Internacional (FMI). Ontem o diretor-gerente do Fundo, o francês Michel Camdessus, anunciou sua renúncia ao posto que ocupou nos últimos 12 anos e meio – mais do que qualquer de seus antecessores nos mais de 50 anos de história da organização. Ele deixará o posto dentro de aproximadamente cem dias: dois anos e meio antes de completar seu terceiro mandato de cinco anos.
Camdessus, de 66 anos, oficializou sua saída ontem durante um almoço com os 24 diretores-executivos que representam os 183 países membros do FMI. À tarde, ele deu a notícia aos cerca de 2 mil funcionários do FMI, numa reunião no átrio do prédio que serve de sede à organização, no centro de Washington.
As consultas para a escolha do sucessor começaram mesmo antes de Camdessus confirmar os rumores de sua saída, que ele próprio alimentara num discurso e em outras declarações públicas, nas últimas semanas. O comando do FMI é tradicionalmente ocupado por um europeu, enquanto o Banco Mundial é dirigido por um americano.
Há pelo menos oito nomes cotados para disputar a sucessão de Camdessus. Num sinal do empenho do governo do primeiro-ministro Tony Blair de preencher um posto-chave nas finanças internacionais, que é ocupado há duas décadas por franceses (Jacques DeLarosiere antecedeu Camdessus), há nada menos do que quatro candidatos potenciais ingleses: o ministro das Finanças, Gordon Brown, o presidente do Banco Internacional de Compensações (BIS), Andrew Crockett, o vice-governador do Banco da Inglaterra, Mervyn King, e o alto funcionário do Tesouro britânico, sir Nigel Wicks. Brown talvez tenha revelado a ansiedade de Londres em assegurar a vaga para um de seus candidatos prestando homenagem ‘‘à grande contribuição de Michel Camdessus’’ antes mesmo de ele anunciar publicamente sua renúncia.
A Alemanha, que têm o peso de primeira potência econômica da Europa no processo de escolha, oferece dois nomes: Horst Koehler, presidente do Banco Europeu de Reconstrução de Desenvolvimento, e Caio Koch-Weser, ex-vice-presidente do Banco Mundial e atual vice-ministro das Finanças, que tem a peculiaridade de ser natural do Brasil. Filho de imigrantes alemães, ele nasceu em Rolândia, no Paraná.
O vice-diretor-geral do Tesouro da Itália, Mario Draghi, também é citado. E, como não pode faltar um francês na disputa de altos cargos de organizações internacionais, o governador do Banco da França, Jean-Claude Trichet, também está no páreo.
Tendo ocupado o comando do FMI num período durante o qual o mundo assistiu ao colapso das economias de planejamento central na Europa, ao avanço em todo o mundo do modelo liberal de mercado pregado pelo FMI e ao surgimento de um novo e virulento tipo de crise financeira na economia globalizada, capaz de devastar anos de progresso de países em desenvolvimento e ameaçar a estabilidade de nações industrializadas, Camdessus escolheu um momento positivo para dar sua missão por cumprida.
Criticado pela esquerda e pela direita nos países ricos e pobres por causa das políticas e/ou da maneira como conduziu as várias crises, o ex-militante da esquerda católica francesa, que chegou a presidente do Banco da França, deixa o cargo com os focos dos incêndios mais recentes nas finanças internacionais debelados.Camdessus anuncia a sua renúncia depois de 12 anos no cargo e abre espaço para um brasileiro. Oito estão na corrida pelo posto
Arquivo/Agência EstadoALTO ESCALÃOCaio Koch-Weser (à direita) ao lado do ministro alemão Hans Eichel: segundo homem forte do Bird

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