São Paulo A Klabin pretende reduzir sua dívida de R$ 2,7 bilhões para R$ 1 bilhão no final do ano, diz o diretor geral da companhia, Miguel Sampol Pou. Essa redução será feita por meio da venda de ativos. Na última sexta, a empresa anunciou a venda da unidade de celulose (Riocell) para a Aracruz por um valor de US$ 610,5 milhões. O negócio deve ser concluído em 30 dias.
O executivo afirma que a empresa continuará negociando outros ativos até o final de agosto. Evitou especificá-los, mas analistas esperam a venda da Bacell, Celucat e metade da Klabin Kimberly. Sem detalhar, o diretor da companhia diz que a maior parte do dinheiro obtido com a venda da Riocell vai ser usada para abater a dívida. A menor parcela vai reforçar o caixa da empresa.
A Klabin pretende aumentar sua capacidade de produção de papéis em 25% nos próximos quatro anos com o objetivo de reforçar suas exportações, também informou Pou. Maior fabricante nacional de papéis, a companhia tem capacidade de produzir por ano 1,6 milhão de toneladas. Quer elevar para 2 milhões de toneladas.
O processo começa neste ano na Fazenda Monte Alegre (PR) e nas unidades de Santa Catarina. Os principais concorrentes da empresa são Suzano, Ripasa, Papirus e Itapagé. ''Os estudos para aumento de capacidade estão avançados'', afirma o executivo.
Ele lembra que, em 2002, a Klabin respondeu por 75% das exportações de papéis para embalagens. ''Vamos focar nosso negócio no segmento de papéis para embalagens e cartões. Não é um setor fácil. A competição é forte. Mas estamos preparados. Investimentos em produtos de qualidade, em uma logística competente, e apostamos na retomada do crescimento da economia brasileira'', afirma.
O executivo também afirmou que a venda da empresa está fora de cogitação. Ele negou que a contratação da consultoria do ex-presidente da Petrobras, Henri Philippe Reichstul, seja uma etapa para preparar a empresa para uma mudança de controle. Segundo ele, a Klabin não recebeu nenhuma oferta. ''Esse assunto não se apresenta.''
Pou evita também informar o número de empresas que fizeram ofertas para a compra da Riocell (unidade de celulose no RS), que acabou sendo vendida para a Aracruz, na última sexta-feira, por US$ 610,5 milhões. Segundo o mercado, a disputa pelo ativo incluiu ainda o grupo Suzano, a VCP (Votorantim Celulose e Papel), a Ripasa e a Ence, maior fabricante de celulose da Espanha. Há empresas estrangeiras interessadas em outros ativos da companhia.

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