São Paulo - A crise econômica iniciada nos Estados Unidos e que aos poucos atinge a economia real de regiões como a Europa e Ásia fará com que o controle sobre os recursos disponíveis tenha prioridade no planejamento da fabricante de embalagens Klabin. De acordo com o diretor-geral da empresa, Reinoldo Poernbacher, apenas um caixa equilibrado permitirá às empresas superar a turbulência econômica prevista para os próximos meses. ''Como não conseguimos enxergar isso (a duração da crise), temos uma ação para conviver com essa dúvida, que é segurar o caixa'', disse.
Poernbacher lembrou que a companhia possuía R$ 2,1 bilhões em caixa ao final de setembro, o que permitiria à fabricante quitar os vencimentos previstos pelos próximos três anos e meio, caso não realizasse novas captações. ''E ainda temos US$ 1,4 bilhão em exportações neste período que nos permitiriam novas captações'', disse, referindo-se a operações de pré-pagamento a exportações. Além disso, a Klabin ainda contará com o caixa gerado nesse período.
De acordo com o diretor financeiro e de Relações com Investidores da Klabin, Sérgio Alfano, a companhia não está disposta a levantar recursos nas atuais condições do mercado, caracterizadas pelos prazos e valores limitados, e por altas taxas. ''Temos interesse em novas linhas, mas não a preços altos'', disse Alfano, lembrando que os vencimentos da empresa vão até 2020. As opções de captação no mercado neste momento, segundo ele, estão próximas a 90 dias, contra um prazo de até dez anos no passado.
Outro aspecto destacado pela direção da empresa é o impacto do câmbio na receita com exportações. Com quase um terço da receita obtida no mercado externo, a valorização do dólar frente ao real garantirá melhores margens para a companhia. Segundo Alfano, a variação cambial ocorrida no terceiro trimestre resultaria em uma receita adicional de exportação de R$ 201 milhões em um período de 15 meses.

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