Klabin inaugura máquina de papel
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domingo, 14 de setembro de 2008
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
Telêmaco Borba - Há pouco mais de um ano, no auge das obras na unidade de ampliação da fábrica da Klabin, os 65 mil habitantes de Telêmaco Borba (Campos Gerais) testemunharam um ciclo de desenvolvimento que acelerou as engrenagens econômicas do município. Atraídos pela oferta de empregos, pelo menos sete mil trabalhadores desembarcaram na cidade e o impacto foi instantâneo: os salários subiram, o comércio e a prestação de serviços expandiram e o setor imobiliário sorria de orelha a orelha. Agora, passada a ebulição, o município aposta numa nova onda de expansão que deve ser gerada pela construção da Usina Hidrelétrica de Mauá.
A Klabin investiu cerca de R$ 2,2 bilhões no projeto MA-1100, que posicionou a indústria como a maior fábrica de papéis do Brasil e uma das 10 maiores do mundo. Esse impulso de produção tem lastro na máquina de papel número 9 (MP9), de 250 metros de comprimento e considerada a mais moderna em atividade. Para a cerimônia de inauguração, que acontece hoje à tarde, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva seria o grande garoto-propaganda da indústria, mas a convocação de uma reunião em Santiago, no Chile, o fez cancelar sua participação na solenidade. O encontro dos presidentes dos países que integram a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) foi marcado em caráter de urgência para discutir a situação política da Bolívia.
Os pesados investimentos feitos pela indústria na sua planta em Telêmaco fez convergir para a região milhares de operários arregimentados pelas empreiteiras contratadas. Na época, a Agência do Trabalhador disponibilizava até 500 vagas mensais de emprego. ''Veio muita gente, entre sete mil e nove mil trabalhadores, principalmente do Nordeste'', calculou Regina Andreassa, responsável pelo órgão estatal que faz captação de mão de obra na cidade.
Com mais gente na cidade, comerciantes e prestadores de serviço tiveram que reforçar suas estruturas para atender os novos consumidores. ''Houve um aquecimento violento sob todos os aspectos'', disse o presidente da Associação Comercial e Empresarial de Telêmaco Borba (Acitel), Ricardo Arcanjo, explicando que tanto o movimento quanto os preços subiram.
Um outro setor que também se beneficiou com a chegada de tantos trabalhadores foi o imobiliário. A corrida por imóveis foi tamanha que inflacionou o mercado e o preço do metro quadrado de um apartamento popular bateu na casa dos R$ 1,8 mil. O imobiliarista e delegado distrital do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis (Creci) Mário Fagundes, lembrou que a disputa acirrada por imóveis fez com que o Município tivesse um dos metros quadrados mais caros do Paraná.
Hoje, o preço do metro quadrado continua alto - cerca de R$ 1,4 mil - e não deve regredir muito mais do que isso porque, segundo Fagundes, a área urbana chegou ao limite de sua capacidade de expansão. Consequentemente, embora também tenham retraído nos últimos meses, os valores dos aluguéis também continuam salgados.
O que todos esperam agora é que a construção da Usina Maúa, entre Telêmaco e Ortigueira, impulsione novamente a economia do município. No ano que vem, os cerca de 1,5 ml trabalhadores começarão a ser chamados. Só que desta vez, a onda deverá ser menor porque a maior parte ficará alojada nas proximidades da obra.


