Klabin deve investir R$ 6,8 bi em Ortigueira
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sexta-feira, 27 de abril de 2012
Andréa Bertoldi <br> Equipe da Folha 
Curitiba - O município de Ortigueira será a sede da nova fábrica da Klabin Papel e Celulose no Paraná. Ontem, a companhia protocolou no Instituto Ambiental do Paraná (IAP) o Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto de Meio Ambiente (EIA-RIMA) da nova unidade industrial. O novo complexo industrial deverá receber investimentos de R$ 6,8 bilhões.
A nova unidade da Klabin no Estado terá capacidade para a produção de 1,5 milhão de toneladas de celulose por ano e deve começar a operar até o final de 2015. As obras para a construção da fábrica começam em outubro deste ano. O governo do Estado informou que a empresa vai receber incentivos fiscais como dilação de ICMS. No entanto, não esclareceu mais detalhes sobre esta negociação.
O secretário estadual de Indústria e Comércio, Ricardo Barros, disse que esta foi uma ''grande conquista para o Paraná''. Ele lembrou que a empresa está há muitos anos no Paraná, na cidade de Telêmaco Borba, e é uma contribuinte exemplar.
Barros destacou que Ortigueira será beneficiada, já que é uma cidade com um dos mais baixos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do Paraná. Em março, o governo do Estado recebeu a diretoria da Klabin e prefeitos de 12 municípios dos Campos Gerais e Norte Pioneiro para assinatura de um convênio pelo qual os municípios concordam em partilhar o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) proveniente das operações da nova fábrica. Cinco dos dez municípios com menor IDH do Paraná estão localizados na região que receberá o empreendimento.
Os 12 municípios que serão beneficiados com a partilha do ICMS são Cândido de Abreu, Congonhinhas, Curiúva, Imbaú, Ortigueira, Reserva, Rio Branco do Ivaí, São Jerônimo da Serra, Sapopema, Telêmaco Borba, Tibagi e Ventania. A ideia inicial da partilha do ICMS foi do secretário Ricardo Barros.
Cada município aprovou uma lei pela qual concorda com a divisão do Valor Adicionado para o retorno do ICMS. O município sede da indústria ficará com 50% do tributo e os 50% restantes serão partilhados entre todos os municípios fornecedores de matéria-prima.
Barros disse que com a partilha do ICMS evita-se que apenas Ortigueira receba os recursos e transforme-se em uma ilha de prosperidade cercada de municípios de baixo desenvolvimento como aconteceu com Telêmaco Borba.
O prefeito de Ortigueira, Geraldo Magela do Nascimento (PSDB), disse que a previsão de faturamento bruto por ano da fábrica é de R$ 2,8 bilhões com geração de R$ 60 milhões de ICMS por ano. Serão 1.600 empregos diretos. ''A fábrica vai mudar completamente o município de Ortigueira'', disse.
Hoje, a cidade tem 23.286 habitantes e Nascimento acredita que a população aumente em função da nova unidade industrial. Segundo o prefeito, se a população chegar a 25 mil habitantes, o coeficiente de participação no Fundo de Participação dos Municípios (FPM) sobe de 1,0 para 1,2.
Além disso, ele destacou que a fábrica terá geração própria de energia através da biomassa. Serão gerados 260 megawatts. Só como comparação, a usina Mauá que também vai entrar em operação no município deve gerar 360 megawatts. A fábrica vai utilizar as florestas de pinus e eucalipto que já possui na região para a produção.



