Telêmaco Borba No próximo dia 31, a Klabin S/A deixará de produzir o papel imprensa para se dedicar exclusivamente ao mercado de embalagens. A informação é do diretor industrial da unidade de Monte Alegre, Arthur Canhisares, durante coletiva à imprensa em Telêmaco Borba, cidade onde está a maior fábrica de papel da América Latina.
Segundo ele, há três anos a Klabin comercializa seu papel imprensa através da empresa norueguesa Norske Skog, mas a necessidade de um grande investimento inviabilizou a continuidade da produção. ''Vamos encerrar o mês com 120 mil toneladas do produto'', complementou.
A Klabin é atualmente líder nacional na fabricação integrada de celulose e papel. Com a compra da concorrente Igaras, em agosto de 2000, tornou-se também a maior produtora e exportadora de papéis para embalagem. Embora tenha sido proveitosa, essa aquisição aumentou o prejuízo líquido da empresa que hoje chega a R$ 208 milhões contra R$ 3 bilhões de faturamento registrado no último ano. ''A desvalorização do real em relação ao dólar, no ano passado, agravou a situação'', explicou Ronaldo Luiz Sella, gerente de comercialização de madeira e fomento florestal.
Para sustentar sua produção, a empresa possui 230 mil hectares de área reflorestada dos quais 135 mil são preservados. Graças a sua preocupação com o meio ambiente, ela conquistou o reconhecimento do FSC (Forest Stewardship Council) que, na prática, significa um selo verde de qualidade aos produtores nacionais de madeira que podem comercializar seus produtos sem restrições de origem e de desenvolvimento sustentado.
Embora não pense em atuar no mercado moveleiro, a Klabin tem auxiliado Telêmaco Borba a ampliar seu pólo industrial desde 1993. Atualmente, 60 das 144 indústrias da cidade sobrevivem da madeira e outras 12 devem se instalar no local até o final deste ano. A participação da Klabin é dar prioridade a essas empresas que, em 2002, consumiram 59% da produção anual. ''Aproveitamos até a casca da árvore. Metade dela é destinada ao fornecimento de energia e o restante é vendido para fabricantes locais de adubo para mudas de fumo'', disse Sella.
De acordo com o prefeito Carlos Hugo Wolff von Graffen, o objetivo dessa parceria é aproveitar a fartura de matéria-prima para transformar a cidade num novo pólo moveleiro do Estado. Telêmaco Borba tem mais de cinco mil desempregados e a chegada de novas indústrias representará a criação de mais 3,5 mil vagas, ou seja, o dobro do número existente.
Entre as empresas que deverão entrar em funcionamento a partir de 2004 destacam-se a Scan Com (dinamarquesa, maior produtora mundial de móveis para jardim), a Braspine (terceira maior produtora de molduras da América Latina) e a Araupel (uma das líderes do comércio de madeira na América Latina). A estimativa da prefeitura é que o município consuma ou remanufature cerca de um milhão de toras de madeira por ano.
Outro parceiro importante nessa 'empreitada' é o Senai que, somente nos últimos cinco anos, formou 350 alunos no curso de marcenaria. Atualmente, os produtos de madeira de Telêmaco Borba já chegam à Escandinávia e até ao Vietnã.

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