Kireeff quer mudar lei para atrair empresas
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segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
Nelson Bortolin, Marco Feltrin e Guilherme Batista<br> Reportagem Local 
Aperfeiçoar o marco regulatório que trata da instalação de novos empreendimentos em Londrina. Essa é uma das propostas do prefeito Alexandre Kireeff (PSD) para tentar retomar o crescimento econômico da cidade. Em entrevista concedida à FOLHA sobre seu primeiro ano de mandato, ele disse que vai mandar um projeto ao Legislativo visando agilizar a atração de empresas.
O prefeito chamou de "devastadores" os últimos números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) sobre a economia de Londrina. Totalizando R$ 10,7 bi, o Produto Interno Bruto (PIB) da cidade em 2011 caiu mais duas posições no ranking nacional em relação ao ano anterior do 53º para o 55º lugar.
Quando se trata do PIB per capita, a situação de Londrina é ainda pior. O IBGE apurou um valor de R$ 21.071 em 2011, abaixo das médias nacional (R$ 21.535) e estadual (R$ 22.769). "Isso é resultado de administrações anteriores que não conseguiram dar para a cidade as condições de desenvolvimento", criticou o prefeito. Questionado sobre quando a cidade vai começar a reverter essa situação, ele afirmou: "Talvez em 2015. Reverter esse viés não é fácil", ressaltou.
Também só em 2015, ele planeja começar a reestruturar o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (Ippul), um dos órgãos responsáveis pelo desenvolvimento econômico da cidade, conforme prometeu em sua campanha. "Em 2014 precisamos criar soluções orçamentárias para implementar as mudanças", explicou.
Na visão de Kireeff, Londrina "pulou" a fase da industrialização, que precisa ser retomada. Mas, devido à localização do município, não é de se esperar a chegada de grandes empreendimentos. "Estamos longe do mar. Ilhados por barreiras alfandegárias que são as praças de pedágio, o que evidentemente torna essencial valorizarmos as pequenas e médias empresas", afirma.
Leia a seguir os principais trechos da entrevista com Alexandre Kireeff:
- Prefeito, nós costumamos comparar os números de Londrina com os de Maringá, que são duas cidades com características semelhantes. E os indicadores de Maringá são sempre melhores nos últimos anos. Lá, se arrecada mais ICMS, mais IPI, e também há mais geração de emprego. O PIB cresce mais na Cidade Canção. Por que os números de Londrina são tão ruins? Ainda na sua gestão é possível começar a reverter?
Talvez em 2015. Reverter esse viés não é fácil. Na minha opinião, esses últimos números (PIB e PIB per capita) foram devastadores. E, na verdade, explicam até minha eleição. Isso é resultado de administrações anteriores que não conseguiram dar para a cidade as condições de desenvolvimento.
- Mas, por que Maringá arrecada mais ICMS e gera mais emprego?
Porque tem mais indústrias. O ICMS vem direto do parque industrial de lá e o nosso é muito acanhado.
- Então, o senhor concorda que, para crescer, o município precisa se industrializar?
Nem todos. Na verdade, a tendência, depois de um processo industrial, é o desenvolvimento do setor de serviço. Mas Londrina pulou essa etapa da industrialização. Os países e municípios que avançam economicamente têm a matriz nos serviços. Mas Londrina não fez essa parte inicial da industrialização.
- Maringá, Joinville, Caxias do Sul são exemplos de cidades que crescem mais que Londrina por causa das indústrias. Que tipo de indústria podemos ter?
Londrina tem alguns perfis industriais, o mais importante é o da transformação de alimentos. Aqui se produz café solúvel, farinha de trigo. Isso é um perfil. O outro é da indústria farmacêutica. E também da indústria química vinculada ao agronegócio. Nós não temos vantagens competitivas para grandes montadoras, grandes empresas de fora, em função da solução logística a que estamos sujeitos. Estamos longe do mar. Ilhados por barreiras alfandegárias que são as praças de pedágio, o que evidentemente torna essencial valorizarmos as pequenas e médias empresas. E também aquelas empresas que não se utilizam das vias tradicionais de escoamento para produzir ou exportar sua produção. Aquelas que não usam rodovias e ferrovias, mas as infovias. E é por isso que Londrina hoje é atrativa para as empresas de TI (tecnologia da informação).
- Não se deve esperar grandes empreendimentos na indústria?
Talvez no setor químico e farmacêutico. Agora, nós não podemos negligenciar as nossas empresas. Talvez se as pequenas e médias empresas não tivessem ido embora da cidade, por falta de uma política agressiva de amparo, o nosso ICMS não estivesse tão baixo.
- Lideranças empresariais andam reclamando da sua administração. Acham que os processos para liberação de empreendimentos continuam lentos.
É preciso separar as coisas. Nós temos processos novos e aqueles antigos que foram feitos de forma irregular, que precisam ser regularizados. Em 2011, nenhum termo de compromisso foi assinado. Em 2012, apenas um. Regularizar isso é penoso. Isso é um aspecto. O segundo é que temos os projetos novos. E esse ano já assinamos uns 7 ou 8 termos de compromisso porque pacificamos a rotina. A tendência é de esse ritmo acelerar.
- O Hipermercado Angeloni, que vai se instalar na Avenida Madre Leonia Milito, esperou um ano e meio após a queda da Lei da Muralha para ter seu termo de compromisso assinado...
Ele teve de ser aprovado na Câmara. Depois de aprovado na Câmara, teve uma ação judicial contra ele. Então a tramitação dentro da prefeitura parou. Depois, foi liberado de novo. Acho que é um exemplo infeliz por dois aspectos: porque teve essa tramitação complicada. E porque eleger esse supermercado a bandeira econômica de Londrina é muito pequeno. É muito pequeno a gente achar que isso tenha tamanha relevância. Com todo respeito ao empreendedor, esse supermercado não muda em nada a realidade econômica de Londrina.
- O senhor está garantindo que não haverá mais represamento de processos de novas empresas na prefeitura?
A tendência é agilizar porque os processos internos estão sendo aperfeiçoados. Agora, se não houver mudança do marco regulatório, que não é amigável ao empreendedor, ele continuará lento.
- Como se muda o marco regulatório?
Com projeto de lei que nós estamos elaborando.
- E o senhor pode dar exemplo do que pretende mudar?
Polo Gerador de Tráfego (PGT), por exemplo. Precisamos de uma definição da abrangência do PGT. São os que geram os famigerados EIVs (Estudos de Impacto de Vizinhança) e atrasam os processos. Isso tem de ser delimitado. É preciso deixar claro o que é um polo gerador de tráfego.
- Pode-se esperar o aparelhamento do Ippul e Codel para 2014?
Não, só para 2015. Em 2014 precisamos criar soluções orçamentárias para implementar as mudanças em 2015. Meu compromisso é entregar o Ippul estruturado no fim da minha gestão.
- Prefeito, o senhor tem fama de centralizador. Lideranças empresariais costumam dizer que o senhor não leva em consideração o que elas sugerem.
É mesmo? Eu sou um bom ouvinte. O Facebook me auxilia muito. Eu escuto muito as pessoas para tomar decisão. Mas não tenho medo de decidir. Virei prefeito por causa disso. Isso pode ser confundido como centralização.
- E sobre o Arco Norte (projeto de desenvolvimento regional que prevê um aeroporto internacional de cargas próximo à Mata dos Godoy, na zona sul)?
Ele precisa de uma locação.
- O senhor está defendendo que não seja naquele local?
Precisamos contar com essa possibilidade.
- O senhor acha razoável então a argumentação das entidades ambientais, que são contra o Arco Norte perto da mata?
Eu acho que, se houver um conflito ideológico ou legal, você afasta investidores. Esse projeto só anda com investimentos privados. O capital odeia risco.
- Então, isso quer dizer que o senhor acha que não deve ser ali?
Não, isso quer dizer que tem de ter alternativa. E o projeto precisa ser redimensionado. Para quem não sabe, 6 mil hectares (área planejada para o projeto) são 6 mil quarteirões. Para pra pensar. É muito grande.
- O senhor está dizendo que os idealizadores do Arco Norte exageraram, sonharam demais?
Não sei se esse é o termo correto.


