O presidente da Assembléia Legislativa, Aníbal Khury (PFL) quer ressuscitar uma lei aprovada em 1967 e criar a Caixa Econômica do Estado do Paraná. O banco substituiria o Banestado, que será vendido pelo governo à inicitiva privada até o dia 30 de junho do próximo ano. A campanha de Khury, pela viabilização da nova instituição financeira, começou ontem em todo o Estado. Ele assegura que conseguirá convencer o governo a pôr o projeto em prática.
Sem temer qualquer tipo de contestação por parte dos demais deputados da Assembléia Legislativa, sobre os quais Khury tem completo domínio, ele coloca a criação da Caixa Econômica do Estado como prioridade. ‘‘Se o governo for competente, ele vai ter que apoiar a Caixa Econômica Estadual’’, afirmou Khury. A aprovação seria feita após as eleições, quando a Assembléia aprovaria uma dotação orçamentária de R$ 100 milhões para capitalizar o novo banco.
A lei que prevê a criação da Caixa foi promulgada no dia 3 de fevereiro de 67 pelo então governador Paulo Pimentel (PFL). A lei é autorizatória, isto é, ela dá o direito de o governo do Estado criar ou não a instituição financeira. E por causa desta condição, o projeto nunca saiu do papel.
Dentro do governo do Estado, o assunto é praticamente desconhecido. ‘‘É a primeira vez que ouço falar disso’’, admitiu o secretário de Governo, José Cid Campêlo Filho. Ex-procurador do município de Curitiba, Campêlo disse que há condições jurídicas para se criar a instituição, desde que não tenha ocorrido a revogação da lei.
O que deve impedir a viabilização do projeto é o Banco Central, que não tem o mínimo interesse em ver Estados administrando bancos. Mas Khury não se rende e acredita ter forças para pressionar o governo federal. ‘‘Se o projeto for bem encaminhado pelo governo do Estado, não vai haver problema’’, assegurou o deputado. Ele próprio disse que vai ‘‘forçar’’ a criação da Caixa. Khury garante que se interessou em criar a Caixa porque o Banestado não irá mais financiar ‘‘a população’’.
Com a pecha de maus pagadores, atribuída aos deputados pelo próprio presidente do Banestado, Manoel Garcia Cid, a estratégia de Khury está sendo encarada como favorecimento político. Setores do governo e do Banestado acreditam que o presidente da Assembléia descobriu uma alternativa para manter os privilégios políticos obtidos pela quase totalidade dos deputados. A maioria dos parlamentares sempre obteve empréstimos bancários para financiar campanhas eleitorais, além de indicar cargos administrativos para o banco. Com a privatização do Banestado, os benefícios devem acabar.

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