Kandir promete queda de 4% dos juros
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quarta-feira, 20 de novembro de 1996
Agência Estado 
A taxa nominal de juros vai cair pelo menos quatro pontos percentuais no próximo ano, disse ontem o ministro do Planejamento, Antônio Kandir. Junto com essa redução, outros fatores vão provocar queda da dívida pública em 1997, afirmou ele a executivos reunidos no seminário da Associação das Câmaras Americanas de Comércio na América Latina (AACCAL).
Segundo Kandir, as reservas internacionais tendem a cair depois de terem subido de cerca de US$ 20 bilhões no início de 1995 para perto dos US$ 60 bilhões atuais. Reservas um pouco menores e dinheiro novo no cofre do governo por conta da venda (privatização) de empresas públicas vão influenciar positivamente o déficit do próximo ano. Ele diz que as privatizações de 1997 devem render de US$ 8 bilhões a US$ 10 bilhões para o governo.
Kandir informou que 92% do crescimento da dívida pública entre os anos de 1994 e 1996 ocorreu por conta do extraordinário aumento das reservas internacionais e do auxílio de liquidez a várias instituições financeiras. Será que as reservas vão continuar crescendo e haverá mais auxílio a instituições financeiras?, questionou. A resposta é não.
Bancos As declarações de Kandir reconhecendo que o auxílio aos bancos em dificuldades de liquidez provocou aumento da dívida pública são novidade dentro do governo. Antes, a equipe econômica sempre fez comentários sustentando que esse programa não impactava de forma negativa o déficit público.
Segundo o ministro, a queda de quatro pontos porcentuais na taxa nominal de juros no próximo ano vão representar uma economia de R$ 8 bilhões para o governo, pois um só ponto de queda na taxa de juros permite uma economia de R$ 2 bilhões, segundo ele. Juros menores e mais o dinheiro que vai entrar com as privatizações (e que vai reduzir o valor total da dívida pública) permitirá uma redução das despesas anuais com juros de R$ 1 bilhão a R$ 1,5 bilhão, segundo cálculos apresentados por Kandir aos empresários.
Exportações Kandir informou que até ameados de janeiro saem as novas regras de financiamento às exportações. A intenção do governo, explicou, é incentivar novos mercados para vendas externas e agregar novas companhias brasileiras à pauta de exportações.
As empresas que já exportam, segundo ele, possuem mecanismos adequados de financiamento, como as Antecipações de Contrato de Câmbio (ACCs). A idéia é estudar as melhores oportunidades de mercado a quem quer de fato operar, observou Kandir. Na sua avaliação, a linha de financiamento criada pelo governo em meados do ano acabou ficando sem demanda.
Segundo o ministro, no ano de 1997 e no início de 98 ainda haverá déficit na balança comercial, mas essa situação será gradativamente revertida. O novo regime de exportações estará funcionando plenamente em dois a três anos, segundo Kandir.
O crescimento das importações este ano, segundo ele, está muito relacionado à preparação do País e das empresas para uma maior atuação nos anos seguintes. De janeiro a outubro deste ano, US$ 10 bilhões das importações foram de máquinas e equipamentos, ponderou Kandir.
Base monetária - As compras de moeda estrangeira realizadas pelo Banco Central no mercado de câmbio voltaram a superar as vendas no mês passado. De acordo com os números a serem divulgados na próxima semana pelo Departamento Econômico (Depec), as intervenções do BC no mercado de câmbio provocaram, em outubro, uma injeção de R$ 1,06 bilhão na economia, o que significa que o Banco Central voltou a absorver divisas nas suas operações cambiais.


