A taxa nominal de juros vai cair pelo menos quatro pontos percentuais no próximo ano, disse ontem o ministro do Planejamento, Antônio Kandir. Junto com essa redução, outros fatores vão provocar queda da dívida pública em 1997, afirmou ele a executivos reunidos no seminário da Associação das Câmaras Americanas de Comércio na América Latina (AACCAL).
Segundo Kandir, as reservas internacionais tendem ‘‘a cair’’ depois de terem subido de cerca de US$ 20 bilhões no início de 1995 para perto dos US$ 60 bilhões atuais. Reservas um pouco menores e dinheiro novo no cofre do governo por conta da venda (privatização) de empresas públicas vão influenciar positivamente o déficit do próximo ano. Ele diz que as privatizações de 1997 devem render de US$ 8 bilhões a US$ 10 bilhões para o governo.
Kandir informou que 92% do crescimento da dívida pública entre os anos de 1994 e 1996 ocorreu por conta ‘‘do extraordinário aumento das reservas internacionais e do auxílio de liquidez a várias instituições financeiras. ‘‘Será que as reservas vão continuar crescendo e haverá mais auxílio a instituições financeiras?’’, questionou. ‘‘A resposta é não.’’
Bancos As declarações de Kandir reconhecendo que o auxílio aos bancos em dificuldades de liquidez provocou aumento da dívida pública são novidade dentro do governo. Antes, a equipe econômica sempre fez comentários sustentando que esse programa não impactava de forma negativa o déficit público.
Segundo o ministro, a queda de quatro pontos porcentuais na taxa nominal de juros no próximo ano vão representar uma economia de R$ 8 bilhões para o governo, pois ‘‘um só ponto de queda na taxa de juros permite uma economia de R$ 2 bilhões’’, segundo ele. Juros menores e mais o dinheiro que vai entrar com as privatizações (e que vai reduzir o valor total da dívida pública) permitirá uma redução das despesas anuais com juros de R$ 1 bilhão a R$ 1,5 bilhão, segundo cálculos apresentados por Kandir aos empresários.
Exportações Kandir informou que até ameados de janeiro saem as novas regras de financiamento às exportações. A intenção do governo, explicou, é incentivar novos mercados para vendas externas e agregar novas companhias brasileiras à pauta de exportações.
As empresas que já exportam, segundo ele, possuem mecanismos adequados de financiamento, como as Antecipações de Contrato de Câmbio (ACCs). ‘‘A idéia é estudar as melhores oportunidades de mercado a quem quer de fato operar’’, observou Kandir. Na sua avaliação, a linha de financiamento criada pelo governo em meados do ano acabou ficando sem demanda.
Segundo o ministro, no ano de 1997 e no início de 98 ainda haverá déficit na balança comercial, mas essa situação será gradativamente revertida. O novo regime de exportações estará funcionando plenamente em dois a três anos, segundo Kandir.
O crescimento das importações este ano, segundo ele, está muito relacionado à preparação do País e das empresas para uma maior atuação nos anos seguintes. ‘‘De janeiro a outubro deste ano, US$ 10 bilhões das importações foram de máquinas e equipamentos’’, ponderou Kandir.
Base monetária - As compras de moeda estrangeira realizadas pelo Banco Central no mercado de câmbio voltaram a superar as vendas no mês passado. De acordo com os números a serem divulgados na próxima semana pelo Departamento Econômico (Depec), as intervenções do BC no mercado de câmbio provocaram, em outubro, uma injeção de R$ 1,06 bilhão na economia, o que significa que o Banco Central voltou a absorver divisas nas suas operações cambiais.

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