Sérgio Castro/AE
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Futuro mais claroO ministro Antônio Kandir: governo trabalha agora com cenário de melhor ‘previsibilidade’O ministro do Planejamento, Antônio Kandir (PSDB-SP), voltou a afirmar ontem que a taxa de juro (TBC) pode cair para 20% ao ano ‘‘em meados de 98’’. Anteontem o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central baixou a TBC de 34,50% para 28% ao ano. Segundo Kandir, há espaço para esta queda, pois o governo trabalha agora com um cenário de maior previsibilidade. O ministro participou do seminário ‘‘Brazilian Capital Market Conference’’, patrocinado pela revista Euromoney.
Kandir vem citando essa possibilidade de recuo nas taxas de juros desde a primeira quinzena de fevereiro. Para ele, essa queda poderá ser sustentada a partir de uma melhora das contas externas e com uma maior entrada de recursos de investidores estrangeiros, além do aumento das exportações e da recuperação das reservas aos níveis anteriores à crise asiática.
O ministro lembrou que as exportações brasileiras cresceram 14% no primeiro bimestre do ano em relação ao mesmo período do ano passado. ‘‘É um resultado estimulante, mesmo se levando em consideração que em 97 as exportações estavam mais fracas’’, afirmou.
Até a próxima reunião do Copom, marcada para o dia 15 de abril, outro fator importante deve influenciar no ritmo de queda dos juros: a votação dos destaques da reforma da Previdência Social. Para Kandir, dois pontos são relevantes na matéria: o limite mínimo de idade e a aposentadoria por tempo de contribuição, e não de serviço. Segundo ele, se todos os destaques forem aprovados, isto vai resultar em uma economia de R$ 3,4 bilhões em 12 meses a partir da aprovação da reforma.
Esses fatores citados pelo ministro foram determinantes para que o Banco Central decidisse promover uma queda na TBC maior do que a esperada pelo mercado. Mas, segundo Kandir, levou-se também em consideração o risco de um forte aumento na inadimplência, o que colocaria em jogo a estabilidade do sistema financeiro.
O aumento na taxa de desemprego, que atingiu 7,25% em janeiro, não foi surpresa para o governo. ‘‘Com a crise asiática, se não tivéssemos tomado as medidas de ajustes, teríamos uma crise cambial profunda e o desemprego seria muito maior’’, disse.
Kandir lembrou que o primeiro trimestre é sempre um período de maiores taxas de desemprego, mas que este ano há um impacto maior em função da crise asiática. ‘‘As estatísticas ainda podem revelar uma tendência de alta no desemprego nos próximos dois meses, mas a partir do segundo trimestre essas taxas devem recuar’’, afirmou.

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