Kandir prevê equilíbrio em 3 anos
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quarta-feira, 02 de julho de 1997
Agência Estado Brasília 
O ministro do Planejamento, Antônio Kandir, previu ontem que o Brasil só atingirá uma situação satisfatória em relação às contas externas dentro de dois ou três anos. Ele disse que a meta do governo no que se refere às contas externas é estabilizar a relação entre a dívida externa líquida e as exportações, o que só será atingido em 1999 ou 2000.
Em 1995 a dívida externa líquida (dívida total menos reservas cambiais) atingiu 2,3 vezes o montante das exportações (o equivalente a US$ 106,9 bilhões), segundo o Ministério do Planejamento. No ano passado, essa relação subiu para 2,4 vezes e, até 1999, tende a aumentar, admitiu Kandir. A partir daí, no entanto, tende a se estabilizar ou até cair, nas previsões do ministro.
O importante é saber se as medidas para isso estão sendo tomadas hoje, afirmou Kandir. Ele referia-se ao fato de que muitas decisões pontuais já foram tomadas, visando a obter o equilíbrio desejado a longo prazo. O governo entende que as medidas, voltadas a estimular as exportações, ainda vão surtir efeito. Houve, por exemplo, aumento da oferta de crédito para o financiamento de exportações, via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e desoneração de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Em resumo, as condições para se atingir a meta já teriam sido em boa parte criadas, no entendimento do governo.
A equipe econômica acha que, embora exijam preocupação, as contas externas não são maior problema do Plano Real. A relativa tranquilidade baseia-se na constatação de que, no curto prazo, o Brasil vai continuar financiando facilmente o déficit registrado em suas transações correntes com o exterior, causado em parte pelo déficit na balança comercial. Ou seja, a entrada de capitais estrangeiros vem compensando o rombo entre o que o Brasil recebe e manda em divisas ao exterior, em consequência de suas transações comerciais e de serviços com outros países (os serviços incluem juros de dívida, gastos com viagens e cartão internacional, por exemplo).
O governo acha que dá para ir aguentando a situação, enquanto não se atinge a meta definida, por entender que não faltarão recursos estrangeiros novos para financiar os gastos externos do País. Kandir destacou, em várias entrevistas nos últimos dias, que, além de farto, o capital estrangeiro que financia o déficit em transações correntes vem melhorando de qualidade, com o aumento dos investimentos diretos e com o alongamento do prazo dos empréstimos e financiamentos.


