Arquivo FolhaReação exageradaO ministro Kandir com Malan: ‘‘Criar tititi em torno de novas medidas é despautério absoluto’’O ministro do Planejamento, Antônio Kandir, disse ontem que o governo não está preparando um novo pacote de ajuste fiscal, por causa do mau desempenho das contas públicas no ano passado. ‘‘A estatística é ruim, mas acho que há uma reação exagerada com relação ao resultado’’, afirmou. ‘‘Nesse momento, criar tititi em torno de novas medidas é um despautério absoluto.’’
Kandir lembrou que muitas medidas anunciadas no pacote de novembro, como os cortes nas despesas de custeio e investimento do governo federal e das empresas estatais, por exemplo, ainda estão em fase de implantação e darão resultado ao longo de 98. ‘‘O aprofundamento do ajuste fiscal se dará pela implementação dessas medidas’’, explicou.
O ministro sustenta que o déficit primário de 0,67% do PIB foi provocado por dois tipos de problema: os que já eram conhecidos, como o da Previdência Social, e os excepcionais, que foram os gastos efetuados pelos governadores com os recursos das privatizações estaduais.
Estes últimos, segundo Kandir, são pagamentos de vários tipos de dívida que afetariam as contas dos estados, em algum momento. O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, vai além: ele afirmou que os acertos dessas dívidas permitem esperar um bom desempenho nas contas dos estados neste ano.
Kandir disse que, pelo lado do governo central, o déficit foi provocado pelo rombo de R$ 3,8 bilhões nas contas da Previdência Social. ‘‘Mas este é um problema que está em vias de ser resolvido’’, avalia. ‘‘Nunca estivemos tão próximos de aprovar a reforma da Previdência.’’
Na opinião do ministro, até a crise na Ásia ajudou a aumentar as chances de aprovação da reforma. Ao evidenciar os problemas a que estão sujeitos países que não mantêm disciplina fiscal e possuem déficits elevados em suas transações correntes, a crise internacional criou, segundo Kandir, um ‘‘caldo de cultura’’ favorável às reformas.
Por outro lado, essa mesma crise prejudicou a arrecadação federal. Ao elevar as taxas de juros para proteger as reservas internacionais brasileiras, o governo também provocou uma retração na atividade econômica. Por isso, a arrecadação de tributos federais, mesmo atingindo o valor recorde de R$ 112,6 bilhões, ainda ficou abaixo do esperado.
‘‘Mas os juros mantêm tendência à redução e, seja qual for a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) desta semana, tudo indica que em meados do ano esteremos numa situação semelhante à pré-crise’’, disse.
As contas federais do ano passado registraram, ainda, um aumento nas despesas de custeio da máquina pública e de investimentos. De acordo com dados da Secretaria do Tesouro Nacional, o aumento foi de R$ 4,9 bilhões, 25% com relação a 96.

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