Kandir: Governo pode administrar o prejuízo
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terça-feira, 05 de novembro de 1996
Agência Estado 
SÃO PAULO - O ministro do Planejamento, Antônio Kandir, disse ontem que não vê nenhum problema a curto prazo com a ampliação do déficit da balança conmercial. Essa é uma tendência que vai continuar como um impacto do forte aumento dos investimentos diretos, disse. Segundo Kandir, o governo ainda tem um tempo enorme para sustentar esse déficit comercial, não só porque tem reservas internacionais grandes, mas justamente porque há perspectiva de ampliação do investimento direto. Kandir participou do encontro anual da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização (Sobeet) em São Paulo.
O ministro admitiu, por outro lado, que o aumento dos investimentos diretos está ajudando no financiamento do déficit em transações correntes. Disse que em 1995 o déficit em transações correntes foi de US$ 17,7 bilhões de dólares, e o investimento direto estrangeiro, de US$ 3,9 bilhões. Neste ano, até setembro, o déficit em transações correntes foi de US$ 13,5 bilhões e o investimento direto, US$ 5,8 bilhões, representando mais de 40%.
Os técnicos sustentam que a divulgação, hoje, do resultado das exportações em outubro confirmarão que o governo está no caminho correto. O papel chave da balança comercial são as exportações, e elas vão melhorar, sustentam. Eles argumentam ainda que os analistas especulam com o temor do mercado de uma desvalorização do real frente ao dólar para corrigir o déficit comercial porque não estão atentos aos sinais do governo.
A equipe econômica do governo, porém, está preocupada com o comportamento nervoso do mercado em torno do anúncio de um novo déficit na balança comercial em outubro. Existe um nervosismo injustificável, ponderam os assessores.


