Kandir e Malan admitem riscos mas tentam tranquilizar mercado
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quinta-feira, 30 de outubro de 1997
Agência Estado Brasília 
Ed Ferreira/AE
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)Fase críticaMalan e Kandir: confiança no País, mas preocupação com período de instabilidade no mercadoO ministro do Planejamento, Antônio Kandir, admitiu ontem que a crise nas bolsas de valores e no mercado de câmbio poderá diminuir o ritmo de crescimento da economia brasileira. Essa turbulência poderá trazer uma ou outra sequela, entre as quais a dificuldade de termos um crescimento maior em curto prazo, dise ele. O ministro também considerou normal que haja uma elevação nas taxas de juros no mercado interno.
Kandir comentou a turbulência do mercado financeiro ao lado do ministro da Fazenda, Pedro Malan, durante cerimônia de assinatura de convênios entre o Bando Interamericano de Desenvolvimento (BID), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Ambos manifestaram confiança na capacidade do Brasil superar a crise, mas usaram um tom grave ao se referir ao período de instabilidade vivido pelo mercado internacional.
Já passamos por dificuldades no passado e certamente enfrentaremos outras dificuldades no futuro, disse Malan. Mas estou certo de que seremos capazes de nos reerguer à altura dos desafios da hora presente. Para o ministro da Fazenda, os riscos, desafios, desequilíbrios e vulnerabilidades, reais ou percebidos, são parte normal da condução da política macroeconômica de qualquer país do mundo.
Malan reforçou o que havia sido dito um dia antes pelo presidente Fernando Henrique Cardoso e defendeu a aprovação, agora com maior urgência, das reformas fiscal, administrativa e da Previdência Social, encaminhadas pelo governo ao Congresso. O momento não é de especular sobre a continuidade dos desafios, mas de redobrar a aposta no processo de reconstrução do País, afirmou. Segundo Malan, o governo tem conseguido reduzir o déficit do setor público e está empenhado em diminuir o déficit nas contas externas, mas as reformas são indispensáveis para a consolidação do crescimento econômico.


