O governo irá arrecadar R$ 74 bilhões com as privatizações entre 1997 e 1999. Esses números, divulgados ontem pelo ministro do Planejamento, Antônio Kandir, superam, em muito, as estimativas oficiais feitas anteriormente. Só neste ano, a receita obtida com a venda de estatais chegará a cerca de R$ 14 bilhões, superando a meta inicial de R$ 10 bilhões. Para 1998, Kandir acredita que as privatizações renderão R$ 30 bilhões.
‘‘Vamos utilizar esses recursos para abater o estoque da dívida e, com isso, as perspectivas são de queda das taxas de juros, além de um impacto positivo sobre as contas externas’’, afirmou o ministro, que esteve presente no leilão da Malha Nordeste da Rede Ferroviária Federal, ontem, na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro (BVRJ).
A equipe econômica do governo, aliás, trabalhou ontem para tranquilizar os mercados sobre os riscos de uma mudança na política cambial. As presenças de Kandir em um leilão cujo preço mínimo foi de R$ 11,4 milhões e do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luiz Carlos Mendonça de Barros, que, apesar de seu cargo, pisou pela primeira vez no pregão da BVRJ para acompanhar o leilão, serviram para dar um recado claro: os fundamentos da economia brasileira são sólidos e as oscilações das bolsas de valores são fruto de pura especulação.
‘‘Achar que a crise do sudeste asiático pode se repetir no Brasil é ignorância’’, afirmou Mendonça de Barros. ‘‘A queda das bolsas foi especulação.’’ Kandir também foi enfático: ‘‘Os analistas que não estão preocupados em provocar especulação sabem que os fundamentos da economia brasileira hoje são bem sólidos’’, disse o ministro. ‘‘O presidente Fernando Henrique Cardoso diz que fará o que for preciso para manter a estabilidade do real.’’
Prova disso é o descompasso existente entre o que Mendonça de Barros chamou de realidade concreta e realidade virtual (as fortes oscilações das bolsas de valores dos últimos dias). O presidente do BNDES relacionou ‘‘os fatos positivos que aconteceram na área política e econômica no Brasil nos últimos dias’’ em contradição direta com o nervosismo do mercado e a queda das bolsas de valores. Ele citou a aprovação da Lei Geral das Telecomunicações, a regulamentação da quebra do monopólio da Petrobras, a prorrogação do Fundo de Estabilização Fiscal (FEF) e a aprovação da primeira etapa da reforma da Previdência, ‘‘que não é a ideal mas é a possível’’.

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