O governo federal, por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), abriu uma linha de crédito para pequenas e médias empresas de informática, especialmente de softwares (desenvolvimento de programas). O anúncio foi feito ontem pelo ministro do Planejamento, Antônio Kandir, durante a solenidade de abertura da Fenasoft 97. Segundo ele, o financiamento beneficia empresas com faturamento de até R$ 20 milhões/ano, nos 12 meses anteriores ao pedido de financiamento.
O Brasil, de acordo com o presidente da Fenasoft, Max Gonçalves, está perto de ser um dos cinco maiores produtores mundiais de software. O País já exporta US$ 1 bilhão por ano em programas para computadores. ‘‘Já exportamos mais que os japoneses’’, assegurou ele. Um valor semelhante também é desenvolvido todo ano em produção interna de novos softwares, explicou Gonçalves. ‘‘Esta linha de crédito vai aumentar a capacidade das empresas desenvolverem novos projetos’’, observou, explicando que as pequenas e médias sempre tiveram dificuldades em ter acesso a linhas de crédito oficiais pela exigência de garantias muito altas.
Os financiamentos serão de R$ 200 mil até R$ 2 milhões, segundo Kandir, e a novidade é que as empresas estarão dispensadas de apresentar garantias equivalentes ao valor do financiamento, exigência normal nos empréstimos concedidos pelo BNDES. ‘‘Mais de 90% das 3,5 mil empresas de software do Brasil são pequenas e médias e têm dificuldades de oferecer as garantias exigidas’’, disse o ministro.
Kandir disse que a linha terá juros equivalentes a TJLP mais um spread de 1% a 2%, dependendo do projeto e do valor financiado. Serão financiados projetos de desenvolvimento de software, ativos fixos, capacitação tecnológica e marketing e comercialização. Todos os projetos serão analisados e autorizados pela Softex, uma agência que reúne entidades privadas e órgãos públicos, desenvolvida dentro do Programa Nacional de Software para Exportação. A Softex analisará a oportunidade e a rentabilidade do negócio proposto. ‘‘O interessado deve encaminhar seu projeto para um dos 20 escritórios da Softex’’, explicou o ministro. Curitiba e Londrina têm escritórios do Softex.

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