GUERRA DAS CERVEJAS Kaiser quer comprar cervejaria da Ambev Arquivo FolhaTelles e De Marchi, da Ambev: venda de uma marca inviabiliza fusão Agência Folha De Brasília O presidente da Kaiser, Humberto Pandolpho, encaminhou ao ministro Alcides Tápias (Desenvolvimento) proposta para a compra de uma das cervejarias da AmBev. A Agência Folha apurou que Pandolpho está especificamente interessado na compra da Antarctica. Tápias teve ontem novas reuniões com representantes das cervejarias (Kaiser, AmBev e Schincariol). Ao final dos encontros, sua assessoria informou que ele enviaria ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) os dados fornecidos pelas empresas. O diretor comercial da Schincariol, Francisco Flora Neto, afirmou que a empresa também está interessada na compra de uma das ramificações da AmBev, empresa resultante da fusão da Brahma com a Antarctica. Os órgãos do governo que já analisaram a fusão – secretarias de Acompanhamento Econômico e de Desenvolvimento Econômico – determinaram que a operação só poderá ser aprovada com a venda de uma das três principais cervejarias da AmBev: Brahma, Skol ou Antarctica. A palavra final sobre o caso será do Cade, que julgará o processo ainda este mês. Em tese, se o ministro Tápias conseguisse intermediar a venda de uma das empresas da AmBev antes do julgamento, o Cade já poderia analisar a operação com o novo formato. A AmBev, no entanto, não deu sinais de que pretende aceitar vender uma de suas grandes cervejarias. Os co-presidentes da empresa, Marcel Telles e Victorio De Marchi, já declararam em diversas ocasiões que a venda de uma das marcas inviabilizaria, na prática, a fusão. Pandolpho disse ontem que na segunda-feira a Kaiser irá reivindicar, na Justiça, o afastamento da conselheira Hebe Romano da relatoria do caso AmBev. A empresa também vai tentar obter autorização legal para ter acesso total aos autos do processo no Cade. A Kaiser argumenta que Hebe já deu sinais de que não tem imparcialidade para julgar o caso. Para a empresa, ela assumiu uma atitude ‘‘anti-Kaiser’’ ao ter dado crédito a suposições de que a cervejaria estaria envolvida no suposto esquema de suborno no Cade, ainda em investigação pela Polícia Federal. Pandolpho afirmou, ainda, que a AmBev teria conseguido recolher, no Cade, parte dos autos do processo antes de a Kaiser obter cópias dos documentos. O advogado da AmBev Carlos Francisco de Magalhães afirmou que as páginas dos autos recolhidas pela empresa traziam dados confidenciais sobre estratégias internas da empresa. A Kaiser chegou a apresentar um pedido de afastamento da relatora no próprio Cade, mas o presidente do órgão, Gesner Oliveira, indeferiu a solicitação.