Justiça suspende plano de cortes da Copel
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sexta-feira, 02 de junho de 2000
Vânia Casado De Curitiba 
O plano seletivo de demissão voluntária para os funcionários da Copel está suspenso desde a última terça-feira em consequência de uma Medida Cautelar proposta pelo Ministério Público do Trabalho. Com isso, ficaram suspensas cerca de 100 homologações que deveriam ter ocorrido até o dia 31 de maio. A Copel está recorrendo da medida judicial em instâncias superiores. Primeiro está recorrendo à Delegacia Regional do Trabalho (DRT-PR) e se for preciso irá ao TST Tribunal Superior do Trabalho, em Brasília.
A Medida Cautelar foi proposta após denúncia feita pelo Sindicato dos Eletricitários de Curitiba Sindinel de que a empresa estaria pressionando os funcionários a pedir demissão, ao contrário da proposta da empresa que era de adesão voluntária. O juiz do Trabalho, Célio Horst Waldraff, acatou o pedido e fixou a multa de R$ 10 mil por funcionário que for despedido. A Copel entrou com um pedido de liminar para cassar a ação cautelar, mas foi indeferido, informou o Procurador do Trabalho, Glaucio Araújo de Oliveira.
O Sindinel estima que pelo menos 200 pessoas foram demitidas sob pressão. O Sindicato reclama que a empresa não vinha cumprindo o acordo de aceitar a adesão do voluntário. Segundo o diretor, Stanislaw Gramowski, tudo começou quando os gerentes informaram aos funcionários que iriam despedir em torno de 20% por área, sem levar em conta a adesão voluntária. O diretor do Sindicato criticou a empresa pelas dificuldades que vem criando na transferência dos funcionários de um setor para outro. Desde que a Copel foi dividida em três Transmissão, Geração e Distribuição os funcionários não estão conseguindo ir de um lugar para outro, mesmo que encontrem vagas.
Gramoswski disse que a empresa não respeitou ainda o acordo para que os funcionários demitidos passassem previamente por um programa de requalificação e reenquadramento profissional, para que pudessem enfrentar o mercado de trabalho. O Sindicato argumenta que se os funcionários prestaram um concurso público, não podem ser demitidos sem justa causa ou pelo menos a empresa deveria respeitar o princípio da motivação.
O Plano da Copel tinha como meta atingir em torno de 350 dos 6.500 funcionários da empresa, afirmou Antonio Claudio Lirio Santos, coordenador de Recursos Humanos. Segundo ele, as demissões não estão ocorrendo sem motivo, conforme está denunciando o sindicato. Ele explica, que do total previsto para demissão, 80 funcionários seriam transferidos para o Lac-Tec ou para a Paraná Tecnologia, que são empresas dais quais a Copel tem ações. Os demais se enquadrariam no PDV ou referem-se a funcionários que ocupavam postos de trabalho que estão sendo extintos, como é o caso das obras de grande porte como Salto Caxias ou de setores que estão sendo modernizados tecnologicamente, explicou.
Também os funcionários ligados ao Centro de Hidraulica e Hidrologia e Simepar, da área de pesquisa seriam transferidas para entidades externas à empresa. O plano tinha a previsão de ser encerrado no final de maio, mas com a interrupção, a Copel está procurando outros meios jurídicos para dar andamento à estruturação da empresa.


