Justiça social deve acompanhar satisfação com consumo
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 15 de agosto de 2003
Alan Maschio<br> Reportagem Local 
Por mais incrível que isso possa parecer, o consumidor brasileiro já está chegando à conclusão de que a satisfação pessoal baseada em sonhos de consumo só pode ser alcançada se vier acompanhada de justiça social. Esta é uma das conclusões de pesquisa realizada com mais de 1.300 entrevistados em São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre e Rio de Janeiro; e que será apresentada para empresários e publicitários de todo o País no dia 27 deste mês, em São Paulo, na Câmara Americana de Comércio. A pesquisa faz parte de um projeto desenvolvido pela Agência de Marketing, escritório de publicidade paulistano, e visa desenvolver oportunidades para projetos de ação mercadológica das empresas.
Segundo Guilherme Sztutmann, coordenador da pesquisa e sócio diretor da Agência de Marketing, a crise econômica pela qual passa o País acelerou o processo de mudança de comportamento do brasileiro com relação ao consumo, mas não pode ser considerada o motivo para tal. ''As preferências de consumo salvam as pessoas do anonimato, da falta de importância, da falta de valores, de afeto e de ideais. Mas, atrelado ao consumismo, estão o empobrecimento geral e a inadimplência. A mudança da sociedade brasileira passa por essa questão também. A felicidade não tem mais paciência para esperar a realização financeira'', afirma Sztutman, baseado em sua pesquisa.
Ainda segundo a pesquisa, apesar dos esforços práticos e racionais para conter suas despesas, o que fatalmente está levando o consumidor a um questionamento das marcas de maior valor simbólico (que quase sempre são as mais caras), há uma visível dificuldade no processo de separação entre o consumidor e a sua marca. ''Separar-se da marca predileta parece ser uma mudança muito dolorosa, que soma-se a outras mudanças necessárias e dolorosas pelas quais o consumidor está passando'', explica Sztutman.
A pesquisa também permitiu a conclusão de que o resgate de características típicas das famílias brasileiras, como o apego à família e a detalhes da rotina normal de um trabalhador, também está em evidência. ''A falência das promessas de modernidade que a globalização oferecia trouxe essas caraterísticas de volta para o brasileiro''. A eleição de um presidente de oposição, proveniente da classe operária, reforça a idéia de mudança discutida pela pesquisa, de acordo com o publicitário. ''Passamos a escolher nossos líderes com critérios diferentes. Isso mostra que a classe média, parcela mais representativa do consumidor, deixou de lado seus preconceitos em busca de igualdade social''.
Como reflexo da mudança de comportamento do consumidor, tanto indústrias como agências de publicidade deverão passar também por mudanças significativas quanto a estratégias de marketing e ações de responsabilidade social. ''Essa mudança, por sinal, já vem se verificando em algumas marcas. A transição da linguagem publicitária e a tomada de atitudes de caráter social já estão atreladas diretamente à satisfação do comsumidor com o produto''.


