Brasília - A pedido da Receita e da Polícia Federal, a Justiça prorrogou ontem por cinco dias, até sexta-feira, a prisão temporária dos 70 presos na Operação Cevada, realizada em 12 Estados, na semana passada. Entre os presos estão vários membros da família Schincariol (Adriano, Alexandre, José Augusto, Gilberto e Gilberto Júnior), donos da cervejaria. Acusados de um golpe de R$ 1 bilhão em sonegação de impostos, eles estão indiciados até agora em crimes contra a ordem tributária, formação de quadrilha, corrupção, lavagem de dinheiro e exportação fictícia.
O delegado encarregado do inquérito, Cássius Baldelli, disse que a fraude vinha sendo praticada de forma continuada há anos, com prejuízo gigantesco ao Fisco. Explicou também que a escolha da Schincariol não foi aleatória, mas baseada em investigações que já vinham sendo feitas pela Receita há mais de um ano. ''Se nos forem apresentadas denúncias de que outras marcas estão cometendo crimes, investigaremos com o mesmo vigor. A PF não protege ninguém'', enfatizou.
As investigações, segundo o delegado, indicam que o grupo Schincariol montou, com alguns de seus distribuidores terceirizados, um grande esquema de sonegação fiscal de tributos estaduais e federais, subfaturando a venda de produtos e recebendo a diferença ''por fora''. Também foram identificadas operações de exportação fictícia, intermediadas por empresas de Foz do Iguaçu e importação com falsa declaração de conteúdo e classificação incorreta de mercadorias. Entre os presos, seis são advogados acusados de envolvimento com a quadrilha e com a compra de liminares. Um deles confessou à polícia que recebia R$ 500 mil por mês de honorário para maquiar as fraudes.

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