As testemunhas de acusação do caso envolvendo sete donos de postos de combustível de Londrina em suposta formação de cartel e de constrangimento de testemunhas, foram ouvidas ontem pela juíza da 5 Vara Criminal, Oneide Negrão, e pelo promotor Eduardo Diniz. Das 11 testemunhas intimadas, apenas cinco compareceram ao Fórum.
Os depoimentos começaram às 9 horas. Dos cinco que se apresentaram ontem, um deles foi liberado sem prestar depoimento. ''Não iria falar nada mesmo. Minha família foi ameaçada e não quero mais problemas'', disse o taxista de 43 anos, que pediu para não ser identificado. O ex-proprietário de posto e principal testemunha de acusação, Ilson Gomes de Lima, esteve ontem no Fórum e confirmou as denúncias apresentadas ano passado ao Ministério Público. ''Os sete empresários acusados foram ao meu estabelecimento no dia 7 de julho de 2001. Eles retiraram alguns banners e me pressionaram a aumentar a gasolina e alinhar o preço com outros postos'', disse Lima, que atualmente vive em outro Estado devido às ameaças que estaria sofrendo.
O empresário, que atuou no setor durante quatro anos (vendeu o Posto Manancial em janeiro deste ano), terá um novo depoimento marcado dentro das próximas semanas, assim como as demais testemunhas ausentes. O ex-funcionário do Posto Manancial, Odenilton Cogo Rigoni, também foi ouvido ontem. Apesar da juíza não querer falar sobre o assunto, o advogado André Salvador, que defende o empresário Luiz Bolognesi, um dos sete acusados, disse que o funcionário ''não confirmou a denúncia de Lima''.
Os demais acusados, Reginaldo Monteiro, Sandro Zanchet, Maxwell Pavesi, Nilo Morishita, Ismael Anselmo e Marcos Surian, compareceram ao Fórum para acompanhar o caso. Os depoimentos de todos haviam sido colhidos anteriormente. A juíza da 5 Vara Criminal também ouviu o ex-proprietário do Posto Tiradentes, Ivo Antonio Rocco, e o seu ex-gerente, Gilson Laudemir Paludeto.
O processo, aberto há exatamente um ano, terá sequência com o depoimento do presidente da Associação dos Revendedores de Combustíveis do Norte do Paraná (Arcom), Ariovaldo Ferraz Arruda, acusado de ''orquestrar'' os preços dos combustíveis em Londrina. Arruda deve depor na semana que vem.

mockup