Justiça ouve os envolvidos no escândalo da Leasing
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terça-feira, 12 de dezembro de 2000
De Curitiba 
Os depoimentos dos réus envolvidos no escândalo da Banestado Leasing terminarão somente no início do próximo ano, ao contrário do que estimava a Justiça Federal. O juiz da 3ª Vara Criminal Federal, Luis Antonio Bonat, pretendia encerrar essa fase do processo ainda este ano, mas um dos envolvidos no caso não compareceu para depor. O último depoimento foi do réu João Alves Filho, ex-governador de Alagoas. Ele esteve em Curitiba, no mês passado para depor. A presença dele no Estado foi mantida a sete chaves pelo juiz federal.
João Alves é acusado de ter se beneficiado de operações irregulares feitas na Banestado Leasing, durante a gestão do ex-secretário de Esporte e Turismo Osvaldo Magalhães dos Santos, entre 1995 e 1997. Osvaldo Magalhães e funcionários da Leasing foram acusados de liberar dinheiro para empresas muito acima da capacidade de pagamento delas. Eles teriam ainda superavaliado bens colocados em garantia de pagamento. As operações fraudulentas teriam somado R$ 266 milhões.
O processo judicial, que foi proposto pelo Ministério Público Federal e Ministério Público Estadual, corre em segredo de Justiça. O juiz também evita se pronunciar sobre o caso. Mas a informação é de que o processo ainda irá se arrastar por longo tempo. A denúncia é de improbidade administrativa, no caso do processo civil, e de crime contra o sistema financeiro nacional, no caso da parte criminal.
Somente no primeiro processo, os promotores e procuradores acusaram João Alves e seu genro José Edivam do Amorim de terem recebido de forma irregular quase R$ 28 milhões. O dinheiro foi para três empresas de Sergipe, Rápido Laser, Amorim Sergipe Transportes e Habitacional Construtora. Uma delas, inclusive, seria apenas de fachada. O endereço que constava na documentação era o mesmo do escritório do deputado federal Joaquim dos Santos Filho, pai de Osvaldo Magalhães dos Santos.
O oferecimento de denúncia contra o ex-governador de Sergipe foi apenas a primeira fase dos trabalhos do Ministério Público. Os promotores prometem encaminhar uma bateria de pedidos de ações judiciais, em 2001. A denúncia é de que a Leasing liberou irregularmente operações no valor de R$ 226 milhões, já comprovadas. A suspeita do Ministério Público é de que o desvio chegaria a R$ 344 milhões.
O então presidente da Banestado Leasing, Osvaldo Magalhães dos Santos, não chegou a ser denunciado por causa de sua morte. Ele foi vítima de acidente automobilístico em setembro de 1998, quando o Ministério Público trabalhava no caso.
Todo o processo da Leasing transcorre de maneira lenta. Os processos chegaram ao Ministério Público em 1997, após uma auditoria interna feita no Banestado. As investigações dos promotores envolvem 33 empresas que foram beneficiadas no esquema de corrupção, com os contratos de leasing.


