Emerson Cervi
De Curitiba
A juíza da 14ª Vara Federal de São Paulo, Regina Helena Costa, determinou que as empresas de auditoria Ernest Young e NMR e o interventor Flávio de Souza Siqueira, apresentem os documentos sobre a auditagem dos ativos e passivos da Inpacel – papel e celulose, em 1997. Essas auditorias foram responsáveis pela indicação do preço mínimo de venda da fábrica depois da intervenção do Banco Central no patrimônio do Bamerindus, em março de 1997.
A Inpacel, localizada no município de Arapoti, era a maior empresa não bancária do grupo Bamerindus. A Associação Nacional dos Investidores Minoritários do banco questiona na Justiça o processo de liquidação do Bamerindus. A Inpacel e a Bamerindus Empreendimentos Florestais foram arrematadas, em leilão público, pela indústria norte-americana Champion por R$ 84 milhões (preço mínimo) em janeiro de 1998. Desse total, R$ 20 milhões foram pagos pela Inpacel e R$ 64 milhões para a Bamerindus Empreendimentos Florestais.
No balanço do exercício de 1998, primeiro ano com os novos proprietários, a Inpacel apresentou um faturamento de R$ 900 milhões e um ativo imobilizado de R$ 1 bilhão. O advogado da associação de investidores minoritários, Sandro Pereira dos Santos, diz que seus clientes pedem na justiça a responsabilização do Banco Central pela venda dos bens por preços abaixo dos reais. ‘‘O Banco Central não pagou os acionistas porque precisa saldar todas as dívidas com os credores antes, mas vendendo o patrimônio por esses preços, não sobrará nada’’, afirma.
Foi anexado ao processo movido pelos acionistas minoritários contra o Banco Central um fax da empresa de auditoria NMR. Nesse documento, responsáveis pela NMR informam à direção do BC que a auditagem apontou R$ 140 milhões como valor mínimo da Inpacel para leilão. Mas, como os compradores querem pagar R$ 84 milhões, o valor deveria ser adequado. ‘‘Esse fax explica porque no primeiro edital de venda o valor mínimo era de R$ 140 milhões e depois ele foi republicado, com mínimo de R$ 84 milhões’’, lembra.
Na semana passada, a mesma juíza federal concedeu despacho em favor da associação dos investidores minoritários do Bamerindus contra o Banco Central e HSBC.

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