Justiça indisponibiliza bens de suspeito de sonegação
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sexta-feira, 15 de agosto de 2003
Marta Medeiros<br> Equipe da Folha 
Maringá - A Justiça de Umuarama determinou em medida cautelar fiscal a indisponibilidade dos bens de um dos empresários envolvidos no esquema das falsas distribuidoras de combustíveis flagradas, no final de maio, em Maringá. Antes de atuar em Maringá, o empresário já havia lesado na mesma atividade, em mais de R$ 3,5 milhões, o fisco em Umuarama. Entre os bens, avaliados em torno de R$ 3 milhões, estão automóveis, rebanho bovino e imóveis urbanos e rurais.
Segundo o procurador do Estado em Umuarama, Weslei Vendrusculo, um trabalho integrado entre a Procuradoria e a Promotoria de Combate à Sonegação Fiscal de Maringá, tornou possível a localização de bens do empresário, cujo nome não foi divulgado. Com a medida cautelar, a procuradoria pretende garantir o ressarcimento do dinheiro. Vendrusculo afirmou que todos os bens localizados estão em nome de 'laranjas' ou de parentes do empresário.
Em maio deste ano, uma operação conjunta da Promotoria de Combate à Sonegação de Maringá, Receita Estadual e Polícia Civil, resultou no fechamento de quatro empresas e uma holding de usinas de álcool que operavam clandestinamente na intermediação, sem nota fiscal, de compra e venda de combustíveis. Os autos de infração ultrapassaram R$ 120 milhões e as investigações se estenderam a centros como Curitiba, Londrina, Cascavel e Umuarama.
Conforme o promotor Maurício Kalache, até o final deste mês, a promotoria deve oferecer denúncia contra duas empresas, cujas investigações estão mais adiantadas. ''Não temos tanta pressa na conclusão das denúncias, mas principalmente em relação ao efetivo ressarcimento ao erário, como se deu em Umuarama com a medida cautelar'', disse Kalache. Para o promotor, a troca de informações com outras regionais pode resultar em mais medidas para indispor bens e garantir o pagamento do fisco. ''O trabalho de levantamento de patrimônio deste pessoal é lento porque depende de muitos órgãos no Paraná e em outros estados brasileiros'', disse o promotor.
Kalache afirmou ainda que é impressionamente a capacidade que estas empresas tiveram para lesar os cofres públicos. ''Em menos de três anos de atuação no mercado, o montante já chega a R$ 120 milhões'', disse o promotor. Ele lembrou que o valor é muito significativo quando se analisa as necessidades sociais do município. ''Para se ter uma idéia, este valor é 60 vezes mais que o Ministério Saúde encaminhou esta semana para Maringá para minimizar os problemas do setor na cidade'', comparou Kalache.


