Justiça impede abate de gado
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sexta-feira, 13 de janeiro de 2006
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
A Justiça Federal de Londrina impediu, através de liminar, o sacrifício dos 1,8 mil bovinos da Fazenda Cachoeira, localizada em São Sebastião da Amoreira (47 km ao sul de Cornélio Procópio). A decisão veio um dia depois de o Conselho Estadual de Sanidade Agropecuária (Conesa) decidir pelo sacrifício sanitário de todo o rebanho da propriedade. A fazenda foi declarada foco de febre aftosa no dia 6 de dezembro pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
Na decisão, o juiz federal substituto Cleber Otero Sanfelici impediu o ''abate/sacrifício dos animais até que a União efetivamente apresente indícios que acarretem suspeita de existência da febre aftosa em animal do rebanho''. O governo federal também deve apresentar, em um prazo de cinco dias, todos os laudos técnicos emitidos pelo Laboratório Nacional Agropecuário (Lanagro). No entanto, os proprietários não podem comercializar o gado até que haja algum laudo conclusivo.
''Não vamos nos curvar a uma situação que não reflete a realidade (existência de aftosa), temos o direito legítimo de defender o patrimônio'', afirmou o advogado dos proprietários da fazenda, Ricardo Rocha Pereira. A Secretaria Estadual de Agricultura enviou ontem ao Mapa um ofício informando a decisão de abater o rebanho. Todos os procedimentos práticos e burocráticos serão definidos pelo ministério.
Exposição - Apesar da decisão judicial, o presidente da Sociedade Rural do Paraná, Edson Neme Ruiz, disse que o momento não é de comemoração. ''Estamos em alerta e indignados com o caminho que foi escolhido'', disse. Segundo ele, o problema estourou ''do lado mais fraco''. ''Falta união à classe produtora, que não sabe a força que tem. Agora temos que engolir coisa que não existe, ver gasto de recurso público para remunerar coisa que não existe'', comentou.
Na reunião de quarta-feira do Conesa, Neme preferiu se abster de votar por ''não reconhecer a existência de aftosa'' no Paraná. As duas opções eram o sacrifício aliado às medidas preventivas ou o não sacrifício e a adoção das medidas preventivas.
Com relação à Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina, tradicionalmente realizada no mês de abril, o presidente da Sociedade Rural teme queda de receita nas partes comercial e industrial, que já passam por uma crise, segundo ele.
''Tememos perda de receita em leilões e dificuldades na composição dos animais de exposição'', afirmou. No entanto, ele disse que o Show Rural, programado para ocorrer no próximo mês em Cascavel (oeste do Estado), será um termômetro para a Exposição de Londrina.


