Justiça impede a ocupação da Chapecó
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terça-feira, 07 de abril de 1998
Paulo Pegoraro 
Decisão judicial com base no direito de posse e propriedade impediu ontem a ocupação das instalações internas do frigorífico da Chapecó, em Cascavel, por produtores de frangos. Com a proibição, os produtores se instalaram na área externa, iniciando no final da tarde a montagem de barracas. Eles pretendem permanecer no local até que a indústria seja reativada. Os produtores alegam que estão sem a principal fonte de renda e com dívidas em bancos.
A mobilização é liderada pela Associação dos Avicultores do Oeste e Sudoeste do Paraná (Avios). O presidente da Avios, José Lino Bergamin, de Capitão Leônidas Marques, afirma não ter restado outra forma de pressão. O alvo é o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que lidera instituições financeiras que detém o controle administrativo do grupo Chapecó, com sede na cidade do mesmo nome, e cinco indústrias - além de Chapecó e Cascavel, em Xaxim (SC), São Carlos (SC) e Amparo (SP), quase todas inativas ou operando parcialmente.
O grupo passou a enfrentar dificuldades financeiras há três anos, e seu controle foi assumido pelo BNDES em nome de bancos credores da maior parte das dívidas, que somam mais de R$ 300 milhões. O banco oficial chegou a injetar R$ 51 milhões na tentativa de recuperar o conglomerado, e o presidente do BNDES, Luiz Carlos Mendonça de Barros, assumiu a presidência do Conselho de Administração. A crise não foi superada, e propostas de compra das indústrias não foram aceitas porque os credores não aceitaram um deságio de 50% das dívidas.
Há informações de que a multinacional italiana Parmalat também estuda a compra das indústrias, que valem aproximadamente a metade das dívidas. O frigorífico de Cascavel abatia 100 mil cabeças ao dia e tinha mil funcionários - hoje, são 294, que recebem os salários sem trabalhar, e apenas alguns deles se revezam em serviços de manutenção das instalações. A indústria era abastecida por 580 aviários, espalhados por 27 municípios, e que operavam no sistema de integração. Hoje, não temos pintinhos para alojar, não temos a quem vender, e o desespero é total, diz Bergamin.
Antonio Bransini, 42 anos, de Boa Vista da Aparecida, alojava sete mil pintainhos, em aviários financiados pelo Banestado, com equivalência em milho. Ele deve seis parcelas de 350 sacas - cada uma vale atualmente cerca de R$ 7,20. Bransini diz que, com os frangos, tirava R$ 800,00 a cada 40 dias - o ciclo da produção -, e hoje sua renda é de apenas R$ 250,00, com a produção de bicho-da-seda. Como vou pagar as contas e sobreviver?, questiona o produtor. Ele e outros produtores ameaçam botar fogo nos aviários, para protestar.
A Avios estima que cerca de 500 pessoas participam da manifestação em frente ao frigorífico. Chapecó obteve no Fórum de Cascavel amparo a uma medida cautelar, para impedir qualquer ato atentatório ao seu direito de posse e propriedade.


