Justica garante proteção de lavouras
PUBLICAÇÃO
domingo, 11 de março de 2001
Denise Angelo De Ponta Grossa 
Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) estão proibidos de aproximar-se das áreas cultivadas pela empresa Monsanto em Ponta Grossa, na localidade do Kalinoski e no Cará-Cará. Nessas áreas, a empresa, uma multinacional do setor de sementes de capital norte-americano, está cultivando plantas geneticamente modificadas, ou transgênicas. Embora as suspeitas de que haja uma lavoura de transgênicos em Ponta Grossa sejam antigas, até hoje não existia nenhuma prova de sua existência. A Monsanto cultiva áreas com organismos GM (geneticamente modificados) em outros Estados, como o Rio Grande do Sul.
Para resguardar a integridade de sua lavoura de transgênicos em Ponta Grossa, a multinacional requereu na Justiça um interdito proibitório contra o MST, para impedir queseus integrantes se aproximem-se da plantação. O temor da empresa, admitido em requerimento à Justiça e atendido pelo juiz Fábio Marcondes Leite, da 2ª Vara Cível de Ponta Grossa, é que os sem-terra invadam e destruam os campos experimentais.
O temor é fundamentado: em fevereiro, durante o Fórum Social Mundial, em Porto Alegre (RS), o MST invadiu uma propriedade da empresa na cidade de Não-Me-Toque, e destruiu toda a plantação.
Força policial De acordo com o despacho do juiz Fábio Leite, caso o MST ou qualquer de seus integrantes ameace a lavoura, pode ser requisitada força policial para defendê-la. O Movimento está também sob ameaça de multa diária de R$ 1 mil em caso de descumprimento.
De acordo com edital de citação expedido pela Justiça e publicado na sexta-feira, a diretoria da Monsanto alega ser uma empresa dedicada à agroindústria e que desenvolveu ao longo de anos de pesquisas, inúmeras técnicas voltadas ao aprimoramento da agricultura, em especial ao desenvolvimento genético de determinadas espécies vegetais. A empresa afirma que o MST tem ameaçado constantemente invadir os campos experimentais.
Para a Monsanto, o MST não quer tomar a terra como meio de subsistência, mas para promover a destruição de plantações de espécies vegetais geneticamente modificadas. Na tentativa de evitar novas invasões, a Monsanto recorreu à Justiça para requerer a expedição de mandato proibitório. Outro fundamento para essa solicitação é o temor de que o movimento impeça a entrada de pesquisadores nos campos.
A briga com o MST acontece em razão de o movimento ser radicalmente contra o desenvolvimento de transgênicos. O plantio e a comercialização desses produtos são proibidos no Brasil. No entanto, em se tratando de pesquisa a Monsanto possui autorização para o cultivo em campos experimentais, como os que ela mantinha até agora discretamente em Ponta Grossa.
O interdito foi concedido à empresa que reuniu provas contra o MST e ainda coletou informações dos próprios integrantes do movimento. Eles teriam ameaçado invadir outras áreas de propriedade da empresa e relatado o fato à imprensa.
Ontem, a assessoria de comunicação da Monsanto afirmou que a empresa torna o fato público mas, não tem mais nada a declarar. A reportagem da Folha procurou representantantes do MST, mas não encontrou ninguém no escritório do MST em Ponta Grossa.


