A Procuradoria da República em Londrina deve ajuizar uma ação civil pública amanhã contra as distribuidoras de combustíveis que praticarem a venda do produto abaixo do preço do custo (dumping) na cidade. Em Londrina, alguns postos estão vendendo o litro da gasolina por R$ 1,33. O procurador da República em Londrina, Mário Ferreira Leite, disse ontem à Folha
que esse valor inidica prática de dumping na cidade: ‘‘Como o preço de custo da gasolina é de aproximadamente R$ 1,30 ou R$ 1,32, está claro que as distribuidoras estão realizando dumping novamente’’, justificou.
Em um primeiro momento, a redução do preço da gasolina favorece o consumidor, que no começo desse ano pagava R$ 1,62 por litro desse produto. Entretanto, essa estratégia elaborada pelas distribuidoras de combustíveis tem um caráter negativo muito maior: como nem todos os postos compram só de uma distribuidora, os estabelecimentos com ‘‘bandeira branca’’ não conseguem evnder o produto por um valor abaixo ao preço de custo. Esses postos acabam fechando. Daí surge o verdadeiro motivo para tanta redução nos preços - os postos que conseguiram permanecer no mercado, com ajuda ilícita das distribuidoras, elevam o valor do produto de forma aleatória. E os consumidores saem perdendo novamente.
Nesse fim de semana, a livre concorrência causou constantes alterações no valor do litro da gasolina em Londrina. No sábado de manhã, alguns postos vendiam a R$ 1,35. No domingo já voltavam ao preço anterior: R$ 1,39. E ontem, até as 20 horas, voltaram a R$ 1,35, chegando aos inacreditáveis R$ 1,33.
Um dono de posto, que não quis se identificar, já assegurou à Folha que nos próximos dias deve fechar seu estabelecimento: ‘‘Desse jeito não dá. Não temos mais lucro. Deveríamos estar vendendo com R$ 0,25 sobre o preço de custo. Mas as distribuidoras não baixam o preço’’. Outro proprietário lamentou a omissão da Agência Nacional de Petróleo (ANP): ‘‘Eles deveriam fiscalizar as distribuidoras, mas só vêem a qualidade do combustível, não a interferência no mercado’’. O procurador Mário Ferreira Leite concorda: ‘‘Ela (ANP) é omissa em muitos casos, e fiscalização só ocorre de 60 em 60 dias’’, criticou.
Londrina não é a única a sofrer com o dumping. No ano passado, Apucarana e Maringá também sofreram altas reduções no preço da gasolina, alguns postos fecharam, e o preço voltou a subir. As distribuidoras, que deveriam reduzir o preço de custo do produto, mantêm um lucro que oscila entre 50 e 200%, incluindo uma empresa do governo, a BR Distribuidora.

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